[[legacy_image_275447]] É natural que numa relação, com o passar do tempo, o grau de comprometimento se torne cada vez maior. E como consequência disso, chega a hora em que o casal decide se casar ou, então, morar junto. Por mais legal e empolgante que essa nova fase do relacionamento possa ser, em certas situações, também pode desencadear ansiedade, preocupações com o futuro e até uma euforia por se iniciar uma vida mais independente - caso a pessoa esteja habituada a morar com os pais. “Você ainda pode sentir vergonha por ter que apresentar algo mais íntimo para o parceiro (a). Sem falar que, dependendo da situação, há quem fique com medo de aquilo não dar certo ou de não ser o que imaginou”, diz o psicólogo especialista em Psicologia Social Deivid Souza de Jesus. De acordo com ele, quando falamos dessas mudanças emocionais, estamos abordando como o casal construiu a relação. “Se o relacionamento foi bem gerido, existe ali algo positivo de segurança, confiança e comunicação afetuosa”, observa. Agora, quando a relação não anda bem administrada e, mesmo assim, os dois resolvem viver juntos, podem surgir “diversas questões, como distanciamento e, inclusive, violência e ataques”. Alguns estudiosos admitem que o ser humano apresenta as seguintes emoções básicas: prazer, desprazer, medo, ansiedade e angústia. “Aí, quando você decide se casar, vem aquela coisa que não consegue dizer o que é, e que pode estar diretamente relacionada aos medos, à sua vivência e ao que tem de crença do que é morar com alguém”, explica Deivid de Jesus. Sendo assim, o desafio é entender que viver a dois implica em olhar para o outro e entender que ele tem as suas próprias questões, sentimentos e emoções. “Cada indivíduo possui uma história, e quando dois se juntam, essas histórias precisam se complementar, mas, ao mesmo tempo, eles seguem sendo diferentes. Ambos precisam estar abertos para ouvir, perceber as expressões que são diferentes e a forma que cada um lida com as coisas. Porque a vida a dois exige comunicação, que as pessoas se olhem, conversem e criem estratégias para lidar com todos esses sentimentos e emoções que podem eventualmente aparecer”, arremata o psicólogo. E quando os conflitos surgem?A vida a dois é assim: com o tempo, um tende a enxergar o outro como ele de fato é. Consequentemente, as imperfeições e questões antes não percebidas costumam vir à tona. E decidir se casar ou morar junto afeta significativamente o cotidiano de ambos. “O que alimenta a ideia de proteção. A intimidade aumenta e existe um investimento afetivo”, diz o psicólogo especialista em Psicologia Social Deivid Souza de Jesus. Mas nem tudo são flores. Diante de uma briga, o que pode amenizar o conflito é ter uma escuta atenta sobre os problemas. Não se deve entrar na defensiva e, sim, olhar para a situação e tentar entender o que a motivou. Para melhorar a convivência, há estratégias adequadas para a resolução de conflitos. “Manter a comunicação e ter satisfação com a realidade financeira do casal. Fazer coisas que gostam juntos e também ambos terem seus espaços e suas individualidades respeitadas”, aponta Deivid de Jesus. É importante, ainda, analisar os problemas individuais e do casal – quando se trata de uma questão que envolve apenas um dos dois, o apoio do parceiro (a) se mostra crucial. De acordo com estudos, algumas coisas podem ajudar a tornar uma relação mais duradoura. Por exemplo: manter um olhar positivo frente às adversidades. Buscar formas de organização, recursos sociais, econômicos e flexibilidade, tudo isso também contribui. “Hoje, vivemos em uma sociedade onde as pessoas não se escutam. Na qual idealizamos o outro e o outro, ao tentar corresponder aquilo, sofre. A gente sofre também”, complementa o psicólogo. [[legacy_image_275448]] Adaptados e ainda mais unidosA vendedora Thalyta Natiely Santos, de 30 anos, e o programador João Lucas Souza Fonseca, de 28, estão juntos há dois anos e decidiram dividir o mesmo teto há um ano. Para ela, o mais difícil na adaptação a esse novo momento foi a mudança da Grande São Paulo para Guarujá, cidade onde João Lucas sempre viveu. E com relação a morar junto, Thalyta diz que foi percebendo as diferenças no dia a dia. “Cada um já tinha um horário para acordar, para almoçar e para fazer as tarefas de casa. Tivemos que nos adaptar aos poucos e com muita conversa até nos entendermos bem”. Ela acrescenta que também notou não só uma maior maturidade de ambos, como mais companheirismo. “Passamos a fazer tudo juntos. Hoje, temos bastante confiança um no outro. Somos muito parceiros e sempre estamos aptos a mudar (o que for preciso)”, afirma. Thalyta acha importante respeitar a individualidade de cada um e diz que a adaptação é questão de tempo. “Morar junto não é fácil, pois cada um tem um gênio”, observa.