[[legacy_image_206422]] Cada um de nós consegue suportar as “agressões externas” da vida com limites diferentes. E são as pequenas frustrações que vão ajudar a criança ou o adolescente a acionar mecanismos que aumentam esse grau de adaptação e superação. Segundo a psicóloga Gisela Monteiro, doutora em Psicologia Social, deixar o jovem passar por algumas frustrações é fundamental para que, no futuro, ele saiba lidar com as chamadas situações-limite, que certamente vão aparecer. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Hoje, muitos pais tentam fazer de tudo para que os filhos não se frustrem. E essa satisfação instantânea e contínua tira da criança a capacidade de adaptação e de superação das dificuldades”. Segundo a psicóloga, o pai que blinda o filhos de encarar desafios tira a oportunidade da criança treinar a mente para sobreviver com sanidade. A família e o ambiente em que vivemos são determinantes para que sejam formadas as características de cada um. “Vamos nos desenvolvendo ao longo da vida nessa interação, que é facilitada ou dificultada por aqueles que nos educam”, diz Gisela. “É isso que chamamos de desenvolvimento humano, que é a capacidade de adquirir competências e habilidades proporcionais, de acordo com a faixa etária”. Ajudar o filho a crescer com capacidades psicológica e intelectual vai definir como ele dará conta das questões econômicas, afetivas e sociais no futuro. “Ter saúde mental não é ser livre de problemas, mas sim desenvolver a capacidade de enfrentá-los”. DesafiosConforme a especialista, é importante que a criança, desde pequenininha, enfrente os desafios de comer sozinha, tomar banho e fazer a lição de casa. “Só assim vai ganhar autonomia. Se o pequeno não é instigado, provocado e cobrado de assumir as responsabilidades proporcionais à idade, acaba não treinando isso”. De acordo com a psicóloga, hoje em dia jovens estão entrando na universidade e passando por difíceis processos seletivos sem ter habilidades como, por exemplo, lavar a própria roupa, fazer algo para comer, enfim, de ficar longe dos pais por algum tempo. “Isso acontece porque a família não se deu conta de que essas questões podem ser simples e práticas, mas exigem disposição e aprendizado. Para dar conta de tudo isso, é necessário treinamento”, alerta a psicóloga. Alguns pais, geralmente com situação econômica mais confortável, acabam impedindo que o filho usufrua do grande mecanismo para o desenvolvimento, que é a necessidade. “Se a criança não sabe o que é desejar um brinquedo e esperar por ele, não vai saber desenvolver estratégias para atingir seus objetivos e de realizar seus desejos a curto, médio e longo prazos. “O desejo é o que nos impulsiona”, diz a psicóloga. Ser um empreendedor, um médico ou um advogado, por exemplo, são desejos de longo prazo. “É preciso ter paciência e tolerância para chegar lá. Percebo que é muito difícil para alguns pais suportarem ver o filho contrariado. É esperado que, quando se proibe algo que não é correto ou ainda porque não chegou o momento, a criança ou o jovem reclame, fique bravo. E essa raiva é dirigida aos familiares. Hoje em dia, muitos pais não aguentam ser objeto de ódio dos filhos. Mas assim como somos objetos de raiva, somos de amor também. O filho tem o direito de ficar aborrecido, mas a raiva passa e é importante que ele aprenda a conviver com esse sentimento desagradável e desenvolva mecanismos para lidar com isso”. A psicóloga finaliza frisando que quem não mantém contato com a frustração tem maiores chances de ser um adulto frustrado do que alguém que consegue se realizar. “É importante saber ganhar e perder. Só assim vamos criar estratégias para atingir nossos objetivos”.