[[legacy_image_230906]] Após o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo, contra a Sérvia, no mês passado, o então técnico da seleção, Tite, se emocionou com um ato de gentileza de um árabe que se ofereceu para carregar seu neto, que dormia no colo da filha na saída do estádio. Um simples ato que explica muita coisa de nosso dia a dia e serve como convite a importantes reflexões. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Minha família estava voltando do jogo, e até chegar ao metrô, é longe para caramba. Eu tenho dois netos, pesadinhos, transfere um, transfere outro, o Lucca pesado para caramba... Nessa troca toda, veio um árabe e pediu para me ajudar... Ele pegou meu neto e o carregou não sei por quanto tempo”, relatou Tite à imprensa. Lucca é filho de Matheus Bachi, que trabalhava com Tite na seleção e é pai também de Leonardo. O treinador valorizou o gesto do torcedor que carregava a bandeira da Palestina nas costas, mostrando que o futebol, assim como outras áreas, pode ser solo fértil para atos de gentileza. Efeito dominóCom certeza você já deve ter ouvido a famosa frase “gentileza gera gentileza”. Esse ditado foi criado por José Datrino, mais conhecido como Profeta da Gentileza. Para ele, esse comportamento funciona como um vírus do bem, ou seja, quanto mais gentis somos, mais pessoas ao nosso redor passam a agir dessa maneira. Assim como o ato do árabe com Tite, ser gentil com o próximo realmente é responsável por uma cadeia de boas ações e funciona como um efeito dominó. De acordo com a psicóloga Silvia Regina Mendes Pereira Neves, “atos aleatórios de bondade podem causar grandes impactos positivos. Quando plantamos o bem, colhemos o mesmo”, explica. Segundo a pesquisa Underestimating the positive impact of kindness on recipients (Subestimando o impacto positivo da gentileza nos destinatários), do Journal of Experimental Psychology (Jornal de Psicologia Experimental), que foi divulgada pelo jornal The New York Times, ajudar o próximo, ser cordial e gentil pode ajudar a diminuir os níveis de estresse e simples atos, como ajudar um amigo ou demonstrar empatia, podem gerar um bem-estar muito maior do que podemos imaginar. A diferença entre ser gentil e puxa-sacoSer gentil pode abrir portas, transforma humores e pode até facilitar negociações. Mas, atenção: não confunda gentileza com puxa-saquismo. Seja gentil com sinceridade. As pessoas não são bobas e sabem quando alguém age por interesses. Use a gentileza sem moderação, mas não espere receber nada em troca. “Se há alguma intenção por trás, já não podemos chamar de gentileza”, diz Silvia. Transforme o ambientePara a psicóloga, a melhor forma de acabar com o ódio, a falta de amor e a falta de educação é o amor ao próximo. “Se destilam ódio, devolva em amor”. Qualquer pessoa pode praticar gentileza, desde que em seu interior haja boas intenções. “Nós replicamos aquilo que somos e sentimos”, explica. William Shakespeare disse: “Eu aprendi que ser gentil é mais importante do que estar certo”. Já Mahatma Gandhi deixou a mensagem: “A gentileza não diminui com o uso. Ela retorna multiplicada”.