[[legacy_image_179788]] Precoce e promissor, Gui Khury faz parte do grupo de atletas que ajuda a trazer visibilidade para o Brasil na cena global do skate. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios Com apenas 13 anos, ele, que é de Curitiba (Paraná), já contabiliza três recordes no Guinness Book: o de ser o atleta mais jovem dos X Games (maior e mais conceituada competição de esportes radicais); o de ser o primeiro skatista a realizar, em um campeonato, a manobra 1080° (três giros completos no ar) em uma pista vertical; e o de ser o medalhista de ouro mais jovem dos X Games no masculino – recorde que pertencia ao norte-americano Tony Hawk, com quem Gui já andou de skate. Aliás, o lendário skatista chegou a comentar: “O Gui é incrível. Ele faz giros em qualquer lugar e vai longe”. No mês passado, o curitibano ampliou sua lista de conquistas com medalha de prata na sua estreia na seleção brasileira júnior de skate, em prova dos X Games, o que pode ser mais um passo rumo ao sonho de defender o País numa Olimpíada (a próxima será a de Paris, em 2024). Na entrevista, Gui conta como se apaixonou pelo esporte e fala do centro de treinamento que o pai construiu para ele. Com quantos anos você se interessou, de fato, pelo skate?Hoje em dia, eu moro em Curitiba (no Paraná, cidade onde Gui nasceu). Mas, quando eu tinha 2 anos, a minha família se mudou para San Diego (no estado da Califórnia) e moramos nos Estados Unidos por uns cinco, seis anos. Por indicação de um amigo da família, o meu pai resolveu me levar, quando eu estava com 4 anos de idade, para conhecer uma escolinha local de skate e foi lá onde tive o meu primeiro contato com o esporte. Mesmo caindo de bunda (risos), não desisti de praticar. Passei a frequentar o lugar e fiquei tentando, me esforçando até conseguir andar de skate para valer. O que mais me inspirou foi ver outras pessoas voando no ar. Queria fazer igual a elas. Nessa escolinha de San Diego, além de aprender um monte de manobras, conheci bastante a cultura do skate. E começou a competir com que idade?A minha primeira competição foi pouco tempo depois disso, durante uma viagem que a família fez para Bali, na Indonésia. Fiquei sabendo de um torneio que estava rolando e que contava com algumas provas para menores de 6 anos. Acabei participando desse campeonato. Não sei como, mas ganhei em primeiro lugar. A partir daí, passei a frequentar diversas competições. Sou muito grato aos meus pais, pois eles sempre acreditaram no meu potencial e investiram em mim. Com o tempo, acabei entendendo que o melhor a fazer era encarar os torneios com alegria, sem sentir uma obrigação de ganhar; e que eu, na realidade, devia enxergar cada prova como uma celebração do skate. Essa postura ajuda a melhorar o seu rendimento no esporte?Sinceramente, eu nunca entro em uma pista pensando em ganhar. O meu pai costuma falar: “Gui, se você for competir só pensando em ganhar, melhor nem ir. Foque em se divertir e em fazer amigos”. O skate é tudo para mim, não quero que ninguém tire o esporte de mim. Por meio dele, aprendi uma porção de coisas para a minha vida, como, por exemplo, a ter mais foco e atenção. Se tivesse que escolher um lugar do Brasil ou do mundo, qual elegeria como o seu local favorito para andar de skate?Amo dois lugares: San Diego, nos Estados Unidos, e Curitiba, aqui no Brasil. Me sinto em casa nesses dois locais. Sem falar que o meu pai construiu para mim o GreenBox (centro de treinamento em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba). Ele fez primeiro uma pista e foi aumentando a estrutura aos poucos (o complexo também é aberto para o público em geral e acaba de ganhar a primeira megarrampa do País). Como é o seu dia a dia? Dá para conciliar numa boa os estudos com os treinos?Sim. Inicio o meu dia indo para a escola, onde fico das 8h30 às 15h30. Na sequência, vou para o meu treino. Ando uma ou duas horas de skate diariamente. Dependendo do dia, ainda tenho uma sessão de preparação física, que inclui alongamento e musculação, para ficar mais forte e sair do meu shape magro. Essa é a minha rotina quando não tenho que viajar para competir. Na medida do possível, você consegue ter tempo para o lazer, como os demais garotos da sua idade? A minha vida acaba sendo diferente da levada por outras pessoas que têm a mesma idade. Mas, quando estou me divertindo com os meus amigos, nos horários livres, procuro deixar o esporte de lado e me sinto igual a todos eles. Nesse momento, gosto de jogar videogame com o pessoal. Curto Minecraft, Valorant e CS:GO (Counter-Strike: Global Offensive). Já tem muitos fãs?Sim, vários aqui no Brasil e um número considerável no exterior, pelo que tenho percebido. Para você ter ideia, a minha torcida no Japão é legal para caramba. Reparo que possuo admiradores de todas as faixas etárias. Só que a maioria é um pessoal mais novo ou que tem a minha idade. Alguns deles dizem que se inspiram em mim e que me usam até como um exemplo para as suas vidas. Quero continuar a merecer esse respeito e esse carinho todo que costumo receber das pessoas no dia a dia.