[[legacy_image_347660]] Quem aqui chegasse antes da criação do porto de Santos evidentemente perceberia que além dos manguezais e praias, o litoral era formado por grandes faixas de costões rochosos. Eram ambientes vivos, que posteriormente deram lugar ao concreto. Agora, pesquisadores querem devolver a biodiversidade a esses espaços. Essa proposta, que já está sendo desenvolvida em países como Estados Unidos, Japão e Austrália, chega ao Brasil, mais especificamente aqui em Santos. Caso dê certo, a expectativa é proporcionar um mar mais limpo, com uma maior quantidade de flora e fauna marinha, atraindo uma maior diversidade de peixes. O estudo está sendo desenvolvido pelo pesquisador Alexandre Francisco Marcucci Sanches. Inicialmente, ele será testado a partir de abril no Deck do Pescador, na Ponta da Praia. Nas pilastras que sustentam o Deck, a equipe da Universidade Federal do ABC pretende instalar cerca de 15 potes, com capacidade para cerca de um litro de água marinha. Eles ficarão posicionados de forma que o vai e vem da maré encha os potes, que funcionarão como casas para mexilhões, ostras, algas e crustáceos. Esses animais se alimentam filtrando a água e nesse processo, capturam também partículas poluentes. Na medida em que essas comunidades se reestabeleçam, elas passarão a atrair peixes. As casas-pote são confeccionadas em concreto e os moldes feitos com plástico reciclado. Dessa forma, a ideia é que esses equipamentos simulem o ambiente natural, permitindo o seu repovoamento pela vida marinha. Após um ano, o trabalho será avaliado e poderá se estender para outras cidades litorâneas, incluindo costados de cais, píeres, decks, quebra-mares e paredões. “Estamos mimetizando, ou seja, copiando a natureza. Por isso dizemos que esse tipo de proposta segue o conceito de soluções baseadas na natureza”, explica Sanches, que conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).