[[legacy_image_295942]] A semana passada foi uma correria. Ando em uma fase de muitas atividades, aulas, pesquisas, novos projetos e necessárias burocracias que essas coisas, por melhores que sejam, demandam. Não estou reclamando, não! Como disse minha terapeuta, isso é energia de vida circulando. E eu adoro essa energia. Especialmente porque aprendi a deixar espaços necessários para o descanso, a desconexão, o autocuidado – e a viver o momento presente. Acho impressionante como focar no agora nos deixa mais serenos, felizes, organizados. É claro que as preocupações existem. Mas saber que não vale adiantar o problema, para uma ansiosa como eu, é uma enorme e grata lição. Entender que está tudo bem procrastinar algumas tarefas, então, parece uma ousadia. Na medida certa, no entanto, procrastinar é um combustível para realizar algo com mais criatividade e assertividade. Na semana corrida que tive, ao chegar na quinta-feira exausta, resolvi deixar para depois algumas decisões e trabalhos. Tirei o dia para cuidar de mim, dos meus filhotes de patinhas, da casa. Comer com calma uma comidinha gostosa, assistir ao episódio de uma série, me arrumar devagar no final da tarde para dar aula logo mais. Na sexta, me sentia muito melhor! Preparei um projeto lindo em uma hora, sobrou tempo para resolver tantas outras questões e dei uma aula à noite que teve até abraço coletivo de tão significativa que foi. O psicólogo norte-americano Adam Grant, autor do livro Originais – Como os Inconformistas Mudam o Mundo e do TED Talk Os Hábitos Surpreendentes dos Pensadores Originais, diz que a procrastinação é justamente uma das características dos criativos que entregam trabalhos mais interessantes. Calma lá que essa conclusão não é a senha para você largar tudo que precisa fazer depois de ler esse texto. O que Grant analisa é que esperar moderadamente antes de agir é um período de incubação. De considerar divergências. Seja de uma ideia, de um sentimento, de uma tarefa. No livro, ele apresenta pesquisa mostrando como pessoas que entregam tudo antes foram avaliadas como menos criativas. Elas podem até ser eficientes, porém têm dificuldade de enxergar além quando é necessário. Atenção: quem deixa tudo totalmente para o fim, o famoso em cima da hora, também não tem nenhuma ideia nova. São aqueles que não param para refletir enquanto vivem ansiosos e em pânico com as entregas, que se acumulam. E não é incomum jogarem a responsabilidade para cima de alguém. O período de incubação pode ser um procrastinar para execução das tarefas importantes, mas não urgentes. Foi o que fiz naquela quinta. Enquanto pensava como realizar o que era relevante, lixava a unha, colocava roupa na máquina, malhava na academia, fazia mercado, escovava a cachorrinha e os dois gatinhos, mandava mensagem para amigos e assim por diante. Ao sentar para delinear um projeto, pareceu mágica. Na verdade, só punha em prática o que já havia construído mentalmente. No fim, a boa procrastinação é sobre equilíbrio. Como Grant cita Edwin Land, fundador da Polaroid, em Originais: ninguém pode ser original em determinado campo se não possuir a estabilidade emocional e social que advém de atitudes regulares em todas as outras áreas que não aquela em que está sendo original. Viver intensamente de tudo um pouco, com presença, no tempo certo, nem muito antes nem muito depois, pode ser o segredo para encontrar alegria, satisfação e realização nos detalhes do cotidiano.