[[legacy_image_201416]] Na hora de comprar seu remédio, vem a dúvida: será que posso optar por um genérico ou similar? Vai fazer o mesmo efeito? Segundo Priscilla Sartori, executiva farmacêutica, os chamados medicamentos de referência ou de marca são aqueles cujos estudos clínico para comprovação de eficácia, segurança e qualidade são realizados para que haja aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “No entanto, após lançados no mercado, esses produtos ficam em média 20 anos com o direito de serem comercializados apenas pela marca fabricante. Após passado o tempo da patente, outros laboratórios podem usufruir desse princípio ativo e exporá-lo sem ter que passar por pesquisas. Ou seja, caindo o período de concessão pública, qualquer laboratório poderá produzir o remédio, desde que tenha a mesma dosagem do princípio ativo e a mesma forma farmacêutica (comprimido, gotas, xarope, pomada...). Foi assim que surgiram os chamados medicamentos genéricos, que são comercializados com uma tarja amarela para identificação da caixa e passam a usar o nome do princípio ativo e não de uma marca comercial”. Já os similares, de acordo com a farmacêutica, também tomam como base o medicamento de referência. “Esses possuem uma marca própria e podem ter diferença na embalagem e rotulagem. São semelhantes, porém, não idênticos, visto que podem conter excipientes em sua formulação”. Excipientes são substâncias adicionadas à formula para construção de volume, coloração ou adição de sabor em caso de fórmulas líquidas, sem que possuam ação terapêutica. Aí vem a pergunta: e o tempo que leva para que esse remédio alternativo faça efeito no nosso organismo? É é igual em todos os formatos de produção? A resposta, conforme Priscilla, é que “a diferença do tempo de ação está relacionada tanto a fatores individuais quanto à formulação de fato. Mas uma coisa é certa: tanto o genérico quanto o similar não passam por estudos clínicos. São como uma receita de bolo replicada”. Vale citar que todas essas regras são estabelecidas e baseadas na legislação farmacêutica e sanitária vigentes, ou seja, em âmbito nacional, é terminantemente proibida a comercialização de produtos sem autorização da Anvisa, salvo raras exceções de casos judicializados. Resumindo: eles agem exatamente da mesma forma? “Em tese sim, porém, na utilização final, sabemos que existem diferenças perceptíveis pelos usuários, embora todos possuam comprovação documental”. Resumindo: medicamentos genéricos e similares possuem comprovação documental, mas não são testados em seres humanos, ou seja, não ocorre o que chamamos de estudo clínico. Já os medicamentos de referência passam por estudos clínicos e, consequentemente, torna-se possível obter a visão da utilização nas pessoas. Os efeitos adversos e colaterais dos genéricos e similares são experimentados na prática, bem como a resposta terapêutica, considerando sempre as individualidades.