[[legacy_image_294232]] A Pfizer enviou na última segunda-feira pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação do Abrysvo, primeiro imunizante materno-fetal contra o vírus sincicial respiratório (VSR), o principal causador de bronquiolite nos bebês. A vacina, voltada para gestantes, oferece resposta imune contra infecções do trato respiratório inferior causadas por VSR nos recém-nascidos e em bebês de até 6 meses de idade, principal grupo de risco para quadros graves associados ao vírus. Além da indicação para gestantes, o pedido também engloba a utilização do imunizante para a proteção de idosos a partir de 60 anos, outra faixa etária de risco para infecções respiratórias graves. A Abrysvo já está aprovada para ambos os públicos nos Estados Unidos e na Europa. O pedido de liberação de registro junto à Anvisa é baseado em resultados de estudos clínicos internacionais em diversas fases, que demonstraram que a vacina é eficaz e segura na proteção de bebês e idosos. O estudo de fase 3 para a indicação materno-fetal contou com a participação de mais de 7 mil grávidas, em 18 centros ao redor do mundo, sendo quatro deles no Brasil: dois no Rio Grande do Sul, um em Santa Catarina e um em São Paulo. No caso da aplicação em gestantes, a resposta imunológica gerada pela vacina foi capaz de prevenir 82% dos quadros de VSR, uma das formas graves de doenças respiratórias em crianças de até 3 meses, seguindo com 69% até os 6 meses. Já em idosos, o imunizante mostrou alta eficácia contra quadros graves, de 85,7%. “Hoje, demos um passo muito grande para o avanço na proteção contra o VSR no Brasil. Essa inovação permitirá proteção segura e eficaz aos principais grupos de risco contra infecções causadas pelo vírus, em especial nos recém-nascidos que, por meio das mães, receberão proteção importante contra esse agente nos primeiros meses de vida”, afirma Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, coletados e monitorados pela iniciativa Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foram notificados até julho 71.590 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil. Entre os quadros notificados, sem febre, com resultado laboratorial positivo, 43,5% foram causados pelo vírus sincicial respiratório, 27,2% pelo Sars-CoV-2 (coronavírus/covid-19) e 11% pelo vírus Influenza, observando-se neste ano um padrão de circulação de VSR superior ao de Influenza e Sars-CoV-2. De janeiro a março, cerca de 30% dos 3,3 mil casos de doenças respiratórias registrados foram de VSR, sendo 95% destes em bebês e crianças de até 4 anos. O VSR é um RNA vírus da mesma família de outros mais conhecidos, como o do sarampo, e consiste em uma das principais causas de bronquiolite, infecção respiratória e pneumonia em crianças e idosos. É o maior motivador de internação de crianças de até 4 anos no País. Com maior incidência nos meses de outono e inverno, mas com circulação durante todo o ano, o vírus é transmitido pelo ar por meio de partículas de saliva. A prevenção é similar à de outras infecções de causa viral. Aconselha-se evitar ambientes fechados e com aglomeração; manter os locais com ventilação adequada; higienizar as mãos com sabão ou álcool em gel, e usar máscara de proteção facial, quando recomendado.