[[legacy_image_240715]] Uma pesquisa canadense sobre consumo de café trouxe resultados polêmicos, que contradizem até mesmo o senso comum. O estudo analisou os quatro principais métodos de fazer a bebida e apontou o menos sustentável deles. Foram analisadas as seguintes formas de preparo: o café de filtro tradicional, o encapsulado, o espresso e, por fim, o solúvel. Para espanto de muitos, não só o tradicional foi o pior, e o café em cápsula até que se deu bem. Ante a perplexidade de várias pessoas, diante, principalmente, do problema que é o descarte das cápsulas, os cientistas canadenses alertam que, para uma análise real, é preciso ir além da xícara. Hoje, 2 bilhões de doses de café são consumidas diariamente no mundo. A planta, que no passado vivia em áreas sombreadas, passou a ocupar grandes localidades. Isso exigiu adaptações. Duas se destacam: a primeira foi o uso de água, por meio de enormes projetos de irrigação; depois, a adoção dos agrotóxicos, também conhecidos como defensivos agrícolas. Quando todos esses ingredientes são somados, dizem os autores da pesquisa, a cada 11 gramas de café arábica produzido no Brasil, cerca de 59 gramas de gás de efeito estufa são emitidos. Já a fabricação das cápsulas de café e o envio dos resíduos gerados para um aterro sanitário, também segundo o estudo, geram 27 gramas de gás de efeito estufa. Em seguida, veio o teste do preparo. Nele, descobriu-se que o maior índice de desperdício de pó, água e eletricidade está no café coado de maneira tradicional. A campeã, nesse quesito, foi a bebida instantânea, devido à baixa quantidade de café utilizado por xícara, menor consumo de energia elétrica da chaleira em relação à cafeteira e ausência de resíduos orgânicos a serem tratados. Ainda assim, outros pesquisadores salientam que não se pode ignorar o impacto das 39 mil cápsulas produzidas a cada minuto no mundo, das quais 29 mil vão parar em lixões e aterros. E mais do que isso, o fato de que muitas empresas continuam dedicando poucos recursos para os estudos prévios sobre os possíveis impactos ambientais de seus lançamentos precisa ser considerado. Diante da reação mundial contra as cápsulas, já começam a surgir algumas opções descartáveis e modelos reaproveitáveis. Novos avanços são possíveis e necessários. Polêmicas à parte, o estudo com o café oferece diversas reflexões. Uma delas é a necessidade de sempre se analisar toda a cadeia de um produto. E a outra é que, quando o tema é sustentabilidade, precisamos ficar atentos às respostas fáceis e às conclusões rápidas. A China e as batatas A maneira como a humanidade se alimenta está diretamente ligada à saúde do planeta. A China, por exemplo, decidiu que sua população deve comer mais batatas. O objetivo é proteger os preciosos solos agriculturáveis. Tudo porque a batata se adapta até mesmo a terrenos mais pobres. Curiosamente, apesar de a China produzir mais de 20% de toda a safra mundial do tubérculo, o seu consumo per capita no país está abaixo da média global. É uma questão cultural, como, aliás, ocorre com a maior parte do que comemos. O costume, aliado a diversos fatores, que podem até mesmo incluir preconceitos, acaba por ditar o cardápio deste ou daquele país. Por isso, para o governo chinês, mudar esse hábito está diretamente ligado à segurança alimentar da sua enorme população. Do contrário, prevê o governo, a nação pode até enfrentar episódios de desabastecimento e fome.