Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos, revelou que pessoas diagnosticadas com Alzheimer podem ter histórico de desorganização financeira. De acordo com o levantamento, 5,2% dos pacientes com a doença começaram a ter dificuldades com os pagamentos do dia a dia até seis anos antes do diagnóstico clínico. “Ainda não há tratamentos 100% eficazes para atrasar ou reverter os sintomas da demência. No entanto, a detecção precoce pode ajudar a proteger o paciente e toda a família em algumas situações. Ao notar um comportamento atípico, que pode ser tanto relacionado à área financeira quanto em atitudes simples incomuns na rotina da pessoa, a família já pode tomar providências protetivas”, diz Antônio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG, associação sem fins lucrativos de representação de pessoas idosas e aposentados. O estudo ainda revela que nove meses após o diagnóstico, 17,9% dos pacientes seguiam endividados. As taxas de inadimplência e risco de crédito persistiram de três até cinco anos após os beneficiários receberem diagnósticos de demência, sugerindo uma necessidade contínua de assistência para administrar o dinheiro. Para determinar se os sintomas financeiros observados eram exclusivos da doença, os pesquisadores também compararam os resultados financeiros de pagamentos perdidos e pontuações de crédito a outros resultados de saúde, incluindo artrite, glaucoma, ataques cardíacos e fraturas de quadril. Eles não encontraram nenhuma associação de aumento de pagamentos perdidos ou pontuações de crédito antes de um diagnóstico de artrite, glaucoma ou fratura de quadril. O estudo também mostrou que pacientes com maior grau de instrução só apresentaram problemas com dinheiro em média dois anos e meio antes do diagnóstico. Já os pacientes com menor instrução apresentaram sinais de alerta financeiros até seis anos antes do problema. Os mais comuns são deixar de pagar contas e se expor a fraudes. Além disso, os pesquisadores responsáveis pelo estudo acreditam que essa diferença pode estar relacionada à desigualdade econômica e social, uma vez que o acesso à saúde de qualidade não é uma realidade para pessoas em condições mais desfavoráveis. Diagnóstico Não existe um simples exame que indique se a pessoa tem Alzheimer. O diagnóstico requer uma ampla avaliação médica, que pode incluir: Histórico médico da sua família Exame neurológico Testes cognitivos para avaliar a memória e o pensamento Exame de sangue (para descartar quaisquer outras possíveis causas dos sintomas) Imagiologia cerebral Receber um diagnóstico preciso durante a fase inicial da doença é importante, pois permite: Maior probabilidade de se beneficiar dos tratamentos disponíveis, os quais podem melhorar a qualidade de vida Oportunidade de receber serviços de ajuda Possibilidade de participar de testes e estudos clínicos Chance de expressar desejos pessoais em relação aos cuidados e vida futura e colocar planos legais e financeiros em ordem Fonte: Alzheimer’s Association