[[legacy_image_214962]] A música entrou da forma mais natural possível na vida de Paula Lima, mas não foi a sua primeira escolha profissional – ela se formou em Direito. Hoje, em plena comemoração dos seus 20 anos de carreira solo, com EP e show especial, a paulistana contabiliza uma trajetória bem-sucedida, que inclui parcerias com Seu Jorge. “A gente se encontrou pela primeira vez em 96, 97. Assim como fiquei impactada pela voz dele, o Jorge falou: ‘Preciso saber tudo a seu respeito. Você é minha partner!’ A partir daí, ficamos amigos. Ele montou meu primeiro show solo, me deu várias músicas e estamos com mil projetos”. No próximo domingo, Paula volta a Santos, para o encerramento da Virada Cultural, às 18h, na Praça Mauá, com o Baile do Simonal. “Vou me apresentar com Simoninha e Max. Tenho uma memória afetiva deliciosa de Santos e uma ligação profunda com o público santista. Minha música Sai Daqui Tristeza virou hit local na versão do Charles Bronson”. Na entrevista, Paula fala da perda no ano passado do marido, Ronaldo Bomfim, que era seu empresário, e da sua faceta recente de empreendedora. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O que sente ao olhar para trás e ver tudo que construiu ao longo de 20 anos de carreira? Sempre segui os meus sentimentos e fiz aquilo em que acreditei, com escolhas muito específicas na música, por investir em uma MPB com supertoque de swing e soul. Me sinto feliz demais e vitoriosa, e sou grata por ter um público que aprecia o meu trabalho. A minha sensação é de que nada veio fácil, mas hoje entendo que fiz a coisa certa, com seriedade e dedicação. Qual foi o maior desafio que teve? Houve vários, mas diria que o maior foi o não que recebi no início da carreira solo. Eu estava muito animada e cheia de esperança de que iria gravar meu primeiro trabalho solo, só que fiquei sabendo que a gravadora não iria me contratar, pois o produtor disse que não daria para gravar mais uma mulher negra, como se o mercado não fosse aceitar duas cantoras negras ao mesmo tempo. Esse preconceito poderia ter alterado o meu destino. Eu poderia não estar aqui falando com você agora e ter me tornado promotora, que era um outro desejo meu, já que me formei advogada e cheguei a trabalhar no Tribunal de Justiça. Mas a minha paixão pela música foi maior. Também tive o apoio dos meus pais. Minha mãe disse: “A pior coisa que existe é quando você olha para trás e se arrepende do que não fez. Você tem um plano B: o Direito. Tente primeiro realizar seu desejo de cantar”. Depois disso, entrei no Funk Como Le Gusta e as portas foram se abrindo, até que, em 2001, tive a oportunidade de seguir em carreira solo, com lançamento grandioso, que incluía música na rádio, outdoor na Avenida Paulista (na Capital) e pôster no metrô. A seguir, vieram outras realizações, como ter música na trilha de novela. Você cursou um ano de Publicidade, antes de se formar em Direito. Como a música entrou na sua vida? Entre os 4 e os 6 anos, tive uma professora na escola pública que tocava acordeão e que falou para a minha mãe que eu tinha dom para a música. Por causa disso, estudei piano erudito por dez anos. Só que o que eu queria mesmo era música popular. Na época da faculdade, conheci o pessoal da banda Unidade Móvel e eles me chamaram para um teste surpresa, para fazer parte do grupo. Foi assim que entrei na música. As coisas aconteceram muito naturalmente. Tem projetos em vista? Estou lançando o Paula Lima Ao Vivo no Blue Note SP, EP comemorativo de 20 anos. Esse álbum faz parte do repertório do show de celebração de duas décadas de carreira com o qual já estou viajando. Tem muito mais coisa para acontecer: em 2023, vou lançar o Soul Lee, álbum em que canto músicas da Rita Lee, e na sequência, virá um disco de inéditas. Como está sendo tocar a carreira sem o seu marido e empresário? Sinto uma saudade profunda e dor grande. O Ronaldo (Bomfim) me fortaleceu, abriu meus olhos e meu coração para a vida, sou outra pessoa desde que o conheci. Ele era o meu super-herói. Procuro ser forte, pois é como gostaria que fosse. O que está achando de se aventurar como empreendedora? Resolvi investir em tecnologia, como cofundadora da EVE NFT, porque a gente tem que pensar o futuro. Com esse negócio, aprendi o que é metaverso. Também aceitei o convite para ser uma das diretoras da UBC (União Brasileira de Compositores), para tratar dos direitos autorais no meio musical. É muita coisa, mas tem valido a pena.