[[legacy_image_316524]] Uma das coisas que gosto de fazer de tempos em tempos é olhar para trás e relembrar onde eu estava em determinada época - fisicamente, presencialmente, emocionalmente, espiritualmente. Qual era minha realidade naquele momento. O que me mobilizava, me desafiava, me apaixonava. Do que eu talvez estivesse abrindo mão. É um exercício interessante para compreender se os contextos melhoraram ou não. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Se surpreenderam com o diferente do esperado ou concretizaram conforme os planos. Não é sobre nostalgia, saudosismo, muito menos apego ao passado. É sobre clarear nossas perspectivas e expectativas atuais tendo como referência experiências vividas. É apenas um analisar das lições para seguir em frente. Essa semana completou um ano que recebi o diagnóstico de uma insuficiência pancreática. Foram meses de mal estar, uma infinidade de exames e tratamentos paliativos até que eu soubesse o que realmente tinha. Consigo fechar os olhos e sentir a sensação de peso saindo dos ombros quando a médica disse “achei” ao avaliar mais um dos exames. Ao nomear o que parecia até então indecifrável e prescrever o medicamento exato. Ao alertar que eu ficaria atenta a vida toda, mas que, cuidando, levaria um cotidiano normal. Entre dieta e remédio funcionando de fato, ainda foram quatro meses de instabilidades físicas e emocionais. Enquanto as oito cápsulas diárias não resultavam no efeito esperado, aproveitei para retornar à terapia. Horas de repouso permaneciam obrigatórias depois de atividades de média intensidade. Mas agora eu sabia o que me afligia e como lidar. Lembrei de tudo isso numa terça-feira recente, quando notava meu reflexo no espelho da academia. Naquele passado recente, sem vitalidade, oito quilos a menos, não imaginava que eu recuperaria seis quilos em um corpo tão forte quanto o de quando fui bailarina. Que estaria com energia para voltar a trabalhar no ritmo de antes e não temer abraçar projetos novos. Que toparia me divertir sem receio de passar mal. Que comeria novamente com prazer. É como se meus sentidos fossem religados. Era nesse lugar que eu estava há um ano - e que bom que saí de lá. Existia o risco de querer ficar. Um problema de saúde nos obriga a parar e ressignificar muitas certezas. Nos ensina, por exemplo, a colocar limites para que nunca mais nos falte espaço para nós mesmos e aqueles que amamos. Mostra que tudo bem ficar na zona de conforto tomando um cafezinho quando for necessário. Mas, se mal interpretado, pode confundir estabilidade com estagnação. Estabilidade é o equilíbrio que traz serenidade na constância. Estagnação é se manter preso com base no que aconteceu com medo de recomeçar. Minha condição me diz todos os dias que preciso de rotina para me manter saudável. No entanto, é parte do saudável arriscar para que o coração mantenha a potência com os ciclos que se abrem e as história que chegam. E você? Onde estava há um ano? Vale a reflexão e a compreensão se a maneira como seus dias correm hoje falam sobre estabilidade ou sobre estagnação. Para ajudar a pensar, deixo aqui a sugestão de uma das minhas músicas preferidas da minha banda preferida. Walk On, do U2, sobre não desistir da jornada apesar de tudo. Uma canção em que Bono sussurra, logo no início, que o amor não é algo fácil, mas é a única bagagem que a gente deve querer carregar. Seja forte e continue a caminhar. O que não mais fizer sentido, deixe para trás.