[[legacy_image_302745]] Neste ano, estima-se que o Brasil registre mais de 73 mil novos casos de câncer de mama. E o diagnóstico precoce é o principal aliado para que as mulheres acometidas pela doença vençam essa batalha. O médico Daniel Gimenes, oncologista da Oncoclínicas, em São Paulo, fala mais sobre a mamografia, principal exame para o rastreamento dos tumores de mama. Estudos mostram que, desde que realizada periodicamente, a mamografia tem impacto de 25% a 40% na redução da mortalidade por câncer de mama. “Quando a doença é descoberta cedo, os tratamentos podem ser menos agressivos, além de terem maiores chances de sucesso. Cerca de 95% dos diagnósticos precoces podem ser curados”, conta Daniel Gimenes. Como o exame é feito de fato?Em um mamógrafo, a mulher fica de pé em frente ao aparelho e duas placas pressionam as mamas, tanto na vertical quanto na horizontal. Para ter melhor imagem, o técnico pedirá para a paciente prender a respiração por alguns segundos. “O exame dura cerca de 20 minutos, no máximo”. Quem deve fazer a mamografia?Mulheres com idade acima de 40 anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o exame pode ser realizado anualmente para a detecção precoce do câncer de mama. Já entre os 50 e 69 anos, de acordo com o Ministério da Saúde, a mamografia de rotina pode ser realizada a cada dois anos, desde que a mulher não tenha sinais ou sintomas da doença. Quando o procedimento é realizado fora da faixa etária, ou seja, em mulheres com menos de 40 anos, ele pode ser indicado para complementar o diagnóstico de nódulos na região. Porém, vale lembrar que apenas o médico poderá recomendar a necessidade ou não da mamografia em situações como essa. Por que a mamografia de rotina não é recomendada antes dos 40 anos? Segundo Daniel Gimenes, o exame pode trazer alguns riscos quando feito antes dos 40 anos. Além disso, o diagnóstico de câncer de mama em mulheres abaixo dessa faixa etária é raro, representando apenas cerca de 10% dos casos. “Por causa da maior densidade da mama, o exame pode trazer falsos negativos. Isso sem contar que a mamografia antes dos 40 anos expõe a mulher a uma radiação que não é necessária naquele momento”. Dói fazer mamografia?O exame pode causar desconforto, mas a compressão no aparelho é rápida, fazendo com que a dor seja passageira. “Uma dica para evitar que o incômodo seja maior é realizar a mamografia fora do período menstrual, fase em que a mama está mais sensível”. Quem tem silicone pode fazer mamografia?Sim, pode. A prótese não irá atrapalhar o exame, mas é necessário que a paciente avise sobre o silicone. “O mamógrafo não irá furar a prótese. A diferença é que podem ser necessárias mais imagens durante o exame, assim como a manobra de Eklund - que consiste em afastar o silicone para que não haja distorção dos resultados”. A radiação da mamografia pode fazer mal?O exame é contraindicado na gravidez, mas pode ser realizado normalmente em outras situações. A radiação emitida no procedimento é baixa e não causa complicações. Existe preparo para fazer a mamografia?O exame em si não precisa de preparo específico, mas é recomendado que a mulher faça o agendamento da mamografia alguns dias após a menstruação. “Isso ajuda a evitar o desconforto e oferece mais tranquilidade para a paciente durante o exame”. Também é recomendado evitar o uso de hidratantes, desodorantes e outras substâncias nas mamas e axilas, pois podem interferir no resultado do exame. A vacina contra a covid-19 pode causar erros de interpretação na mamografia?Sim, pode. O aumento de linfonodos no braço em que a paciente recebeu a vacina pode ser interpretado erroneamente como um sinal de alerta, já que a doença também apresenta esse desdobramento. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda que a mamografia de rastreamento seja feita entre quatro a seis semanas após a vacinação contra a covid-19. Mulheres que estão amamentando podem fazer mamografia?Não, o exame é contraindicado caso a mulher esteja amamentando ou grávida. Em situações como essa, o médico poderá solicitar outros exames de rastreamento como o ultrassom, que não são prejudiciais para a mãe e para o bebê. O autoexame substitui a mamografia? Não! No caso do autoexame, ele auxilia na detecção de nódulos palpáveis, mas não substitui a realização da mamografia. “Por isso, caso observe sintomas como alterações de formato, da pele ou no tamanho das mamas, procure um médico o quanto antes para avaliação e diagnóstico correto”, finaliza Daniel Gimenes.