[[legacy_image_263590]] Provavelmente uma das histórias mais conhecidas do mundo, Os Três Mosqueteiros já teve dezenas de versões, com Gene Kelly, Michael York, Charlie Sheen e até com o Mickey. É parte da cultura pop há mais de um século. Por isso mesmo, fica muito difícil inovar ao contar essa história. Não era nenhuma surpresa que eu esperava, mas, ao assistir à mais recente versão do clássico, Os Três Mosqueteiros – D’Artagnan, busquei um tempero diferente para um prato muitas vezes consumido. E encontrei isso! A produção, francesa de corpo e alma, tem seus diferenciais: a origem e os astros de lá. A começar pelo jovem D’Artagnan, sedento de vingança, vivido por François Civil, conhecido do público do streaming pela ótima Dix Pour Cent. É ele o protagonista da história, que sofre uma tentativa de assassinato assim que chega a Paris em busca de uma vaga entre os mosqueteiros do rei e dedica o resto do filme a frustrar os planos de seus agressores. Ele usa sua malandragem para superar os adversários e se torna um aprendiz de mosqueteiro. Quase na sequência, arranja encrenca com os três mosqueteiros originais, Athos (Vincent Cassel), Porthos (Pio Marmaï) e Aramis (Romain Duris), com quem agenda duelos de vida ou morte, mas aos quais se une para defender os interesses do rei, em meio a uma crise que pode levar à guerra entre católicos e protestantes e acabar com a monarquia, tudo arquitetado pelo cardeal Richelieu (Eric Ruf) e sua comparsa, Milady (Eva Green). Porthos tem o rosto de Pio Marmaï e uma personalidade que, se diferente dos livros, inclui um elemento mais moderno, de inclusão, na história. Aramis, sempre com lápis no olho e belas palavras para as moças, é o que de mais engraçado há no filme. E Athos, líder dos mosqueteiros, feito pelo veterano Vincent Cassel, é soturno e amargurado, assombrado por decisões do passado e pouco apegado à vida. Mas o grande destaque do filme é a sempre deslumbrante Eva Green, a atriz mais interessante da atualidade, que faz valer cada segundo seu em tela, com uma Milady que se contenta apenas em ser vilã, vibrando com cada maldade, e que conta com uma safadeza muito debochada, ótima de ver! Outros rostos conhecidos são o do rei Luis XIII, feito por Louis Garrel, ator que, por curiosidade, trabalhou com Eva Green há 20 anos, em Os Sonhadores. Como a rainha da França, vemos a atriz Vicky Krieps, estrela de um dos filmes mais instigantes dos últimos anos, o drama Trama Fantasma, de 2018. Constance, o interesse amoroso de D’Artagnan, tem uma atriz talentosa, que não reconheci imediatamente, mas que depois descobri ser Lyna Khoudri, que teve grande destaque no último filme de Wes Anderson, A Crônica Francesa. O longa termina no meio da ação e terá a segunda parte, Milady, lançada nos cinemas ainda neste ano, uma divisão que lembra a que o inglês Richard Lester fez nos filmes estrelados por Michael York nos anos 1970. Os dois longas foram rodados juntos, o que é uma ótima promessa de que a segunda parte será tão divertida e fiel ao conceito de aventura como Os Três Mosqueteiros – D’Artagnan. Um filme que, mesmo com algumas liberdades, é uma deliciosa aventura à moda antiga e que não dá para perder. Assista no cinema!Nota do crítico: +++++