[[legacy_image_328459]] Se há algo de muito bom a ser destacado em Os Rejeitados (The Holdovers, 2023), filme que vem conquistando bons prêmios de atuação na temporada, é o talento do trio de protagonistas, em especial do sempre ótimo Paul Giamatti. Ele vive um professor de História amargurado e que não se importa em ser odiado não apenas pelos estudantes, mas também pelos colegas de um prestigiado internato, a Academia Barton. E é justamente ele, o antissocial, o escolhido para acompanhar durante as festas de final de ano um grupo de estudantes que por alguma razão não conseguiu voltar para casa e vai passar as festas no próprio colégio. Graças a alguns imprevistos, ele acaba ficando sozinho no colégio com um único aluno e a chefe da cozinha. Paul, o professor, quer punir o mundo por uma injustiça que sofreu enquanto era estudante e que modificou sua vida para sempre. Angus, o estudante, tenta lidar com a perda do pai e a aparente falta de interesse da mãe, que se casou novamente e vive em constante lua de mel (longe dele). Mary, a cozinheira, vive em função da memória de seu filho, também um ex-aluno da Barton, que morreu há poucos meses, na guerra do Vietnã. São estes três personagens, cada um com suas circunstâncias, dores e sonhos - ou falta deles -, que vão a contragosto se apoiar uns nos outros para superar um período tão sujeito à melancolia. E apesar da história ser tão sentimental, não há um momento em que sejamos impelidos a chorar. O modo como a história é contada é leve e simpático, mesmo nas cenas mais difíceis. E é claro que, além de cada personagem ser influenciado pelos outros dois, a história vai caminhar para um ponto em que a vida de todos eles não será mais a mesma depois deste fim de ano em “família”. O talento de Giamatti (que já devia ter ganho um Oscar por algum dos ótimos personagens que fez em Sideways ou Luta Pela Esperança) carrega o filme com um personagem que vive no fio da navalha e que tem algo de trágico, mas ao mesmo tempo risível em sua personalidade irascível. O filme conta ainda com a poderosa interpretação de Da’Vine Joy Randolph, atriz que eu não conhecia, mas me impressionou muito. Ambos foram premiados no Globo de Ouro e, no prêmio da crítica norte-americana, na semana passada, repetiram a vitória e ainda viram o jovem Dominic Sessa levar, merecidamente, o prêmio de Melhor Ator ou Atriz Estreante. Não há nada de novo na história, que pode lembrar muitas outras. Mas tudo em Os Rejeitados é embalado de uma maneira diferente e que carrega tanta verdade e tantas observações impressionantemente atuais que a história parece inédita e conseguimos enxergar um pouco de nós mesmos em cada um dos personagens. Há também muito humor, latente, presente o tempo todo, mesmo nas cenas mais difíceis. Um filme fácil de assistir e que foi concebido de um jeito bem diferente, como se tivesse sido produzido também nos anos 1970, não apenas na forma como a história é contada, mas também na estética, visual e sonora, no formato da tela, nas imperfeições típicas da era analógica, no logotipo vintage da Universal. Uma delícia de filme que vai merecer minha torcida (e talvez minhas apostas, vamos aguardar) em muitas categorias do Oscar 2024! O Urso: vale a pena conhecerPara quem ainda não assistiu a série O Urso (The Bear), do Star+,que também vem dividindo as principais premiações do ano com a favorita Succession, é uma ótima dica. Maratonei no último domingo e, apesar de toda a loucura, adorei. A ação se passa em um restaurante e o protagonista é um chef conhecido que deixa seu restaurante chique (o melhor do mundo) para trabalhar na lanchonete da família em Chicago, que ele herdou do irmão recém-falecido... Ótimos personagens, situações surreais e um humor que permeia a história, mas flerta com a tragédia.