[[legacy_image_208062]] Tosse, coriza, espirros e congestão nasal são sintomas bem parecidos com os de um resfriado comum, mas podem sinalizar o contágio por adenovírus – microrganismos que provocam doenças respiratórias e estão acometendo pessoas aqui na Baixada Santista e em várias regiões do Brasil e do mundo. “Estamos com uma circulação bem expressiva. Temos observado principalmente crianças com sintomas bem característicos”, alerta a pediatra Mírian Valente, de Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a especialista, apesar de os sinais serem semelhantes aos de um resfriado, a febre pode ser mais alta, persistente e a criança tende a ficar bem prostrada. O problema pode vir associado a uma conjuntivite, além de manifestações gastrointestinais, como vômitos e diarreia. “O quadro catarral também pode ser mais arrastado, chegando a persistir pelo período de 10 a 14 dias”, ressalta a pediatra. A transmissão se dá por pequenas gotículas eliminadas pelo nariz e pela boca de pessoas contaminadas e também por via orofecal (fezes contaminadas). Conforme a médica Mírian Valente, não existe um tratamento específico, apenas medidas sintomáticas, mantendo o corpo hidratado e fazendo repouso, lavagem nasal, inalação com soro fisiológico, uso de analgésicos e antitérmicos. É importante observar o risco de complicações. As mais comuns são otite, pneumonia e sinusite. Principalmente nas crianças, é importante que os pais fiquem atentos a sinais como queda do estado geral, prostração, recusa de líquidos, gemência, tosse intensa, febre persistente, respiração rápida e curta. Vale enfatizar: não existe vacina para prevenção. Para fechar o diagnóstico, a pediatra diz que pode ser solicitado o painel viral para pesquisa de vírus respiratórios. “Não podemos esquecer de outros microrganismos que também causam doenças respiratórias graves, como o influenza A, para o qual temos a vacina disponível e tratamento específico com Tamiflu”. Outro agravante são algumas associações do adenovírus a um tipo grave de hepatite. Pesquisa realizada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças mostra possível associação entre os recentes casos de adenovírus 41 a um misterioso tipo de hepatite. O microrganismo foi registrado na maioria dos casos da inflamação aguda do fígado. Segundo a pediatra Mírian Valente, essa relação é mais comum quando o paciente passa por uma pré-infecção de coronavírus e outra de adenovírus. “Se isso acontece, a chance de fazer essa hepatite misteriosa é maior, mas é algo extremamente raro e sem motivo para pânico. Além do mais, existem muitos subtipos de adenovírus, mais de 50. O grupo que está associado à hepatite não é o mais prevalente e também nem todos os pacientes que têm contato com ele vão desenvolver a doença hepática”. De qualquer modo, para evitar ainda mais a disseminação de gripes, a médica orienta medidas de higiene, como lavagem de mãos, uso de álcool em gel e a utilização de máscara por pessoas que apresentam sintomas gripais ou em locais de aglomeração.