[[legacy_image_203049]] Vermelhidão, desconforto e calor local são sintomas comuns do terçol, também conhecido como hordéolo, um nódulo palpável e doloroso que surge na pálpebra como resultado de uma infecção bacteriana, onde há o consequente bloqueio da drenagem das glândulas gerado pelo processo inflamatório. Também podem ocorrer lacrimejamento, coceira e sensibilidade à luz intensa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A médica oftalmologista Isabella Carnio Paulino Habib explica que, geralmente, a lesão se rompe espontaneamente e expele seu conteúdo inflamatório, desaparecendo. “Recomendamos a estimulação da drenagem local com compressas mornas, que amolecem o nódulo e abrem o orifício de saída da glândula. Isso porque o terçol só é curado com a sua drenagem total. Geralmente por ser de origem bacteriana, é necessário tratamento específico, com aplicação de pomada antibiótica, conforme orientação médica”. Já o calázio, de acordo com a especialista, é provocado pela inflamação de outras glândulas diferentes das afetadas no terçol e que estão localizadas mais profundamente, no interior da pálpebra. “Por este motivo, o calázio costuma formar nódulos fora do bordo palpebral, diferentemente do terçol, que por conta da localização das glândulas afetadas costuma se manifestar bem na borda superficial da pálpebra, perto dos cílios”. No calázio, a inflamação também pode ser provocada por bactéria, mas geralmente é causada pela obstrução dos dutos, que permitem a drenagem da secreção destas glândulas (Glândulas de Meibomius), o que provoca a formação de um granuloma (uma massa de tecido inflamado), que vai aumentando de tamanho conforme a secreção produzida pela glândula não pode ser eliminada. “O paciente não costuma sentir grande desconforto, mas pode apresentar sensibilidade à luz, visão turva e diminuição da fenda palpebral (espaço entre as pálpebras superior e inferior)”. Essa obstrução, conforme Isabella Paulino Habib, pode ocorrer por diversas causas, como a própria gordura local, oleosidade ou mesmo por resíduos que obstruem a glândula. “Esses resíduos geralmente estão relacionados com a blefarite crônica (inflamação que afeta a borda da pálpebra, no local onde emergem os cílios) e formam crostas e ‘caspas’, mais conhecidas como seborreia, que favorecem esse tamponamento”. O tratamento, em geral, é feito com compressas mornas no local, além de colírios ou pomadas anti-inflamatórias com prescrição médica. Dependendo da evolução do quadro, a injeção de corticoide dentro do calázio também é uma opção terapêutica. “Quando o calázio é pequeno, não é necessário realizar procedimento cirúrgico, já que o próprio organismo irá absorver com o tempo. Porém, em casos mais avançados, é um recurso eficiente. A pequena incisão cirúrgica irá facilitar a drenagem. O acesso é feito na maioria das vezes pela parte interna da pálpebra e não causa cicatrização antiestética”. Pessoas que manifestam hordéolos ou calázios de repetição devem se atentar aos fatores predisponentes, como blefarite, doenças de pele oleosa, uso de maquiagem nos olhos sem a remoção total do produto, assim como contaminação dos olhos com as mãos mal higienizadas. “Para quem usa lentes de contato, é importante que elas estejam sempre limpas e que as mãos sejam lavadas antes de manusear as lentes. Já os pacientes com blefarite devem higienizar os cílios com espuma de xampu neutro”. É importante ressaltar que tanto o terçol quanto o calázio não são contagiosos, mas devem ser tratados o quanto antes para evitar consequências. Procure sempre o seu oftalmologista para um diagnóstico e tratamento individual.