[[legacy_image_339405]] Para muitas pessoas, as sensações olfativas despertam muitas memórias, lembranças até mesmo antigas. Para animais e plantas, o cheiro fala, alerta ou flerta. E alguns desses perfumes podem nos legar alimentos sem contaminação. É o caso das joaninhas. Tão vistosas, elas precisam de alguma proteção. Para isso exalam um odor repugnante – pelo menos para os pássaros, seus algozes. A estratégia, porém, tem uma falha e os pulgões, alimento das joaninhas, souberam explorá-la, desenvolvendo a capacidade de captar o odor. Ocorre que os pulgões são devoradores de plantas e, em alguns casos, podem ser vetores de transmissão de doenças que atacam um sem número de culturas agrícolas. Um grupo de pesquisadores norte-americanos e ingleses observou, nessa trama da natureza, uma oportunidade: por que não recriar o perfume da joaninha e disseminar o medo entre os pulgões? A ideia, aqui, vai além de exterminar insetos. Para isso, já temos opções e seus efeitos colaterais. O conceito, nessa linha de estudos, é respeitar a ecologia que compõe toda aquele cultivo, com cada criatura desenvolvendo seu papel. Isso inclui de fungos a minhocas, passando por toda sorte de criaturas e seus disfarces de sobrevivência. Essa abordagem tem até um nome: controle biológico. O Brasil tem muitas pesquisas nessa área, com produtos desenvolvidos e disponíveis no mercado. Um dos primeiros surgiu lá na década de 1990 e nasceu da observação de lavradores. Eles sabiam que uma espécie que atacava suas plantas se reproduzia em um único período no ano, nas poucas semanas em que alçavam voo para reprodução. Então, recolhiam algumas fêmeas, colocavam nos bolsos e atraiam os machos para armadilhas. Dessa observação, nasceu o primeiro feromônio comercial brasileiro, disponível hoje para os canaviais (leia quadro na página). É uma tecnologia com amplas aplicações práticas, principalmente na agricultura familiar, que representa 40% da produção de alimentos no país. Hoje, já há cartilhas sobre como utilizar o controle biológico. Algumas alternativas servem até mesmo para a sua horta caseira, seu jardim ou vasos. Uma parte significativa desse conhecimento vem do chamado saber popular, do matuto, do caipira e do quilombola, que, como nós, dependem da biodiversidade, fonte dos segredos em forma de perfumes. O desafioPlantas e animais produzem substâncias químicas, chamadas feromônios, que funcionam como uma comunicação invisível, atraindo parceiros para cópula, repelindo inimigos ou demarcando território. O desafio é identificar esses aromas, capturá-los, estudar suas moléculas e sintetizar um produto. Todo esse processo pode levar décadas. Mas funciona. No caso das joaninhas, constatou-se uma redução de 25% da área afetada pelos pulgões. Há diversos estudos. Um deles, no Brasil, desenvolve uma planta repelente a um inseto do tamanho de um grão de arroz, mas que causa uma devastadora doença em laranjas, limões, tangerinas e limas. (Com Agência Fapesp)