[[legacy_image_209905]] Sim, Jorge Luis Borges, meu colega cronista, estava certo. Aqui, vejo com alegria que o amor à literatura, ao conhecimento, é grande vantagem. É, eu cheguei a duvidar algumas vezes se estava mesmo fazendo a coisa certa esse tempo todo que andei por aí. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Eu achei que esse negócio de vida além da vida era bobagem até bem pouco tempo antes de vir para cá. Mas, ao chegar, vi que existiam coisas muitíssimo interessantes, como a possibilidade de renovar o empréstimo de livros várias vezes, sem conta. Neste último ano, já li de tudo: autores consagrados que não tive tempo de ler aí, autores novos que ainda não tiveram sua chance e, claro, o que ainda está na mente do Stephen King. Essa é uma grande vantagem: aqui a gente pode ler o que ainda está na mente do autor, porque todos os livros têm pré-lançamento aqui, com direito a vinho do bom, salgadinhos e doces de festa. Em um dos eventos, até rolou Coca-Cola. Mas já não tenho tanta vontade assim do veneno negro. Aliás, também já não sinto as dores no joelho que me tiraram do “Futebol de Quinta”. Por isso, também voltei a jogar. Modéstia à parte, agora não tem para ninguém no gol. E olha que já cheguei a jogar com uns craques: Sócrates, Garrincha... Tem sido uma honra. Outro dia, ouvi um elogio do Telê Santana! Em nenhuma área, há espaço para estrelismo, coisa que sempre abominei. Todos têm as mesmas chances, porque descendem da mesma fonte. Vejo muitos amigos vivendo a vida aí sem tanta esperança no futuro. Eu os entendo. É difícil mesmo. Eu não tinha muita fé na humanidade quando parti. Agora, já não sei dizer. Talvez uma fagulha tão pequena quanto insistente tenha ressurgido. O pensamento ganha outra amplitude quando vemos as coisas de longe. A vida por aqui é mais leve em diversos aspectos, mas não deixo de acompanhar a política do Brasil e do mundo. E permaneço reconstruindo e realimentando meu pensamento dia a dia. Descobri que o paraíso é pensar. Por aqui, quem pensa é mais feliz. Eu sei que é difícil de acreditar nisso, mas garanto que é a verdade. Quem pensa é responsável pela criação dos mundos. Nem eu imaginava que teria tamanha responsabilidade e reconhecimento. Re-conhecimento. É exatamente isso que estou fazendo: conhecendo a mim mesmo novamente. Óbvio, isso depois dos reencontros. O mais emocionante foi com a minha mãe, Zuleica. Foi dela que puxei o amor pela literatura, então aqui estamos sempre trocando impressões sobre livros e conversando sobre o que pensamos. Isso me distrai um pouco das saudades das crianças, tanto quanto da vontade de sentir o mar sob os meus pés — que têm novamente todos os dedos. Hoje, cheguei à biblioteca central para devolver um dos livros que havia retirado e o funcionário me contou que o meu amigo poeta Alessandro Padim inventou o Dia do Marcus, que é comemorado hoje, em 25 de setembro, dia do meu aniversário. Ele me explicou que a ideia é que as pessoas saiam por suas cidades e deixem livros em locais públicos, para que quem os achar leia livremente. Poxa, cara, que bonito! Me fez chorar. Espero que minhas lágrimas sequem antes de cair. Gigante, quando chora, faz chover e não quero que a chuva estrague os livros. Eu sei bem o quanto são valiosos.Um abraço,Marcus Vinicius Batista