[[legacy_image_302810]] No marketing, uma das ferramentas que mais ajudam os profissionais da área a mensurar resultados de estratégias é a métrica. Aliás, as métricas. São muitas e variadas - uma revolução possível graças ao digital. Há, por exemplo, a taxa de conversão, que indica quantos dos potenciais clientes que foram impactados por um anúncio na internet, de fato, se tornaram clientes. Outra importante é o custo de aquisição por cliente, ou seja, o valor que a empresa gasta para conquistar novos consumidores. Essas ferramentas mostram se os esforços do marketing estão resultando em lucro. Isso tudo vale para organizações de qualquer porte, inclusive para os pequenos empreendedores. Há também uma outra categoria de mensuração nesse universo virtual. As chamadas métricas de vaidade. Mesmo os leigos em marketing facilmente conseguem identificá-las. Elas estão presentes na vida de todas e todos nós. São curtidas, compartilhamentos, comentários, número de seguidores e as demais reações e interações possíveis nas redes sociais. Mas ter 1 milhão de seguidores e isso não virar dinheiro consiste em apenas um número para massagear o ego. É o que determinam as regras do marketing digital. As métricas de vaidade têm o seu valor. Trazem informações sobre a imagem da marca, se as pessoas gostam do que ela diz, faz. Sozinhas, no entanto, não garantem a longevidade da empresa. Não dão base para um crescimento consistente. Mas esse texto não é sobre marketing. É sobre relacionamentos amorosos. Vejo muita gente iniciando e investindo em relações que só ficam no digital. Que enxergam a curtida de coração que o crush deu na foto como mensuração de um possível relacionamento que dará certo. Em outras palavras, métricas de vaidade do amor. Você pode ficar semanas e até meses conversando virtualmente com alguém legal, sentir saudade se demora para chegar um “oi” por direct, conferir os stories a cada dois minutos para saber se esse alguém curtiu sua foto, seu reel, seu meme, seu post inteligente… Estar verdadeiramente e emocionalmente envolvido. Mas, se não tem beijo, pegação, sexo e construção de algum tipo de relação (eu sei que você não quer ler isso, mas é necessário), não está acontecendo nada além de uma fanfic na sua cabeça. Já existe até um termo para explicar essa situação. Quem tem 20 e poucos anos descreve essa pessoa como “conversante”, por constituir um relacionamento que não vai além das mensagens. Em inglês há a expressão dexting, contração das palavras date (encontro) e texting (enviar mensagens de texto), criada pela americana Amanda Bradford, fundadora do app de namoros The League, que garante que essa conexão pode ser intensa como a física e presencial. E aí está um enorme problema. Manter um conversante pode nos deixar romanticamente indisponíveis para relações na vida real. Há um apego àquela conexão, que é filtrada pelos recursos virtuais. Logo, sem os desafios das relações reais. Como pensar na resposta ideal antes de enviar e até editar se preciso. Enviar a foto “perfeita” depois de mil cliques e alguns efeitos. Relacionamento tem imperfeições, dificuldades, depilação por fazer, barriga de cerveja, mau humor matinal, contas a pagar, escolhas e decisões diárias. O dexting é uma relação plástica, vivida como uma proteção à rejeição, e acaba como frustração. O digital é ótimo caminho para conhecer mais quem nos interessa. Para trocar ideias, expressar opiniões e o que desejamos em uma história. Mas o próximo passo precisa ser de olhos nos olhos, pele, toque e, então, definições e combinados de como será a relação. Se haverá relação. O alerta de mensagem no celular dá um frio na barriga gostoso - só não substituirá jamais o encanto de um beijo bem dado daqueles que a gente se perde no tempo. Perde até o celular.