[[legacy_image_204750]] Muitas escolas costumam aproveitar o 7 de setembro para reforçar temas como os símbolos da Pátria. Uma parte dessa história, curiosa e controversa, tem uma forte relação com a Astronomia. Ela começa com Pedro Álvares Cabral. A sua chegada ao Brasil em 22 de abril de 1500, por si só, não garantia a posse e o consequente nascimento da futura nação. Era preciso registrá-la e o céu, as estrelas e as constelações serviam como um atestado. A tarefa coube ao médico e astrônomo João Faras, membro da expedição, também conhecido como Mestre João. Em 27 de abril de 1500, ele determinou a latitude de Santa Cruz de Cabrália (17 graus ao Sul), na Bahia. E foi ele também que, naquela noite, ao observar o céu, deu nome ao Cruzeiro do Sul, uma constelação pouco conhecida pelos habitantes do Hemisfério Norte da época, mas que se tornaria uma das mais emblemáticas do mundo Hoje, o Cruzeiro do Sul está presente em vários símbolos, da nossa Bandeira aos passaportes. Curiosamente, nesses dois casos, o Cruzeiro aparece invertido, como se fosse possível observá-lo de fora da Terra. Há discussões acadêmicas sobre o motivo dessa escolha, que difere de outras bandeiras, como a australiana, em que o céu é representado como visto da Terra. Mas não existe um consenso. As estrelas, na esfera celeste, ao centro, também estão posicionadas como se a pessoa estivesse segurando um globo em suas mãos. Aliás, somos o único país no mundo a ter uma esfera celeste na nossa Bandeira. A posição das estrelas representa a latitude da cidade do Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1889, marcando, novamente com a Astronomia, outra data importante na história da nação. O Cruzeiro do Sul, por sua vez, está bem ao centro, com as cinco estrelas numeradas de 11 a 15 – cada número, como sabemos, representando um estado. Mas elas são muito mais do que isso. Além dos navegadores, o Cruzeiro já era conhecido pelos povos tradicionais, alcunhados de indígenas. Dependendo da etnia, essa constelação era chamada de Curaça, Curusu, Pata de Ema ou Garça, entre outros. Vista da Terra, ao anoitecer, no equinócio do outono, ela aparece deitada do lado sudeste. Já no solstício do inverno, fica em pé, com seu braço maior apontando para o ponto cardeal sul. Dessa forma, era como um calendário celeste das estações do ano, regendo a vida pré-Cabral. Tamanha importância não foi negligenciada por dom Pedro I. Em 1827, cinco anos após o histórico 7 de Setembro, ele criou no Rio de Janeiro o Observatório Nacional. O motivo tinha ligação direta com a Independência do Brasil, que gerou uma grande demanda comercial. As embarcações precisavam de dados precisos, como a declinação magnética ou a longitude, para alcançar a nova nação com segurança. O que talvez ele jamais tenha imaginado é que o filho, Pedro II, se tornaria um astrônomo amador, o primeiro brasileiro a figurar como sócio da Sociedade Astronômica da França e o primeiro a fazer a análise de um cometa usando equipamento fotográfico. O primeiro mapaQuando a Proclamação da Independência completou 100 anos, em 1922, entre as várias comemorações previstas, estava a apresentação do que podemos chamar de o primeiro mapa do Brasil feito de acordo com a cartografia mundial. Ele foi desenhado na escala de um para um milhão e ficou conhecido como a Carta do Brasil ao Milionésimo. O Brasil foi o único país da América Latina que moldou seu próprio mapa. Os demais utilizaram dados de outros países. O trabalho foi feito pelo Clube de Engenharia, que para confeccioná-lo utilizou levantamentos astronômicos.