[[legacy_image_176116]] Uma das doenças que mais cresce no País, a catarata só pode ser revertida por meio de cirurgia. A novidade é um procedimento alemão, totalmente a laser, que foi aprovado no início do ano pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que começa a ser implantado em Santos, no Instituto de Olhos do médico oftalmologista Eduardo Paulino. A seguir, ele explica mais sobre a técnica, que será oficialmente lançada entre os dias 25 e 28 de maio, no XIX Congresso Internacional de Catarata e Cirurgia Refrativa, em Salvador (Bahia). O que a catarata costuma provocar nos olhos?Ela é uma opacificação na lente interna dos olhos, que está logo atrás da pupila. A catarata pode ser congênita, ou seja, a criança já nasce com o problema, ou decorrente de traumas e processos inflamatórios. No entanto, o mais comum é que a doença apareça durante o processo de envelhecimento. A partir de qual idade?Normalmente a partir dos 60 anos. Mas, atualmente, já conseguimos detectar sinais de catarata em pacientes com cerca de 50 anos. E quais são os sintomas?Quando a catarata aparece em decorrência da idade, ela não faz com que a pessoa perca a visão subitamente. O processo vai ocorrendo gradativamente e o mais interessante é que as pessoas se acostumam a enxergar mal. Desse modo, a visão vai perdendo o contraste, as cores ficam menos vivas de forma progressiva e o paciente acaba não tendo essa percepção. Como é a cirurgia convencional para reverter o problema?O procedimento evoluiu muito. Há vários anos, não existiam as lentes, que hoje são implantadas dentro dos olhos. Ou seja, era necessário que o paciente usasse óculos de 20 graus depois da cirurgia. O pós-operatório exigia cinco dias de repouso na cama e o procedimento envolvia sutura (pontos cirúrgicos). Entre os anos 1970 e 1980, surgiu nova técnica chamada facoemulsificação, realizada com ultrassom. Hoje, se opera com um minúsculo corte de 2,4 milímetros. Nós emulsificamos a lente natural do olho e introduzimos uma lente nova. Quanto mais cedo se faz o procedimento, o trauma e o risco cirúrgico acabam sendo menores, porque a catarata está mais mole (ela é classificada de acordo com a sua dureza) e tem fácil absorção. Como é essa lente introduzida nos olhos?Hoje, temos vários tipos de lentes. As monofocais, específicas para melhorar a visão de longe, e as chamadas tóricas, que corrigem graus de astigmatismo. Há ainda as multifocais para melhorar a visão de longe e de perto. Independentemente do diagnóstico de catarata, contar com uma lente dessas dentro dos olhos é libertador para quem é refém dos óculos em tempo integral, não é mesmo? A cirurgia com a intenção de restaurar a visão sem o uso de óculos é chamada de facorefrativa, ou seja, trocamos a lente natural dos olhos por uma que pode até ser multifocal. Dessa maneira, o paciente pode ter a visão de longe e a de perto sem óculos. Mas cada caso tem a respectiva indicação e deve ser avaliado pelo médico-cirurgião. Qual anestesia é usada? A cirurgia é feita com colírio e sedação leve. Esse procedimento tem condição de restaurar a visão, principalmente do hipermetrope, porque ele não enxerga bem nem de perto nem de longe. O míope ainda consegue ler um livro sem óculos, mas também pode se beneficiar com isso. A novidade que o instituto está trazendo é uma outra opção de cirurgia realmente a laser, realizada de forma bem mais delicada e segura. Como é essa técnica? Na cirurgia em que há a facoemulsificação, o ultrassom esquenta a ponteira do aparelho, que gera calor. Portanto, o médico tem que ser muito bem treinado para evitar que ocorram microqueimaduras na própria córnea, já que é um aparelho um pouco mais agressivo. Por isso, sempre se sonhou em poder fazer o procedimento completo de cirurgia de catarata realmente a laser. + DetalhesJá existe algo parecido?Há poucos anos, surgiu o chamado femto laser, que, na verdade, não opera a catarata. Ele apenas corta a cápsula anterior do cristalino e secciona em pedaço, como uma pizza, ou seja, ele não remove a catarata, mas faz a fase inicial da cirurgia. “Fez-se muito marketing em cima disso. Mas, nesse procedimento, faltou o facoemulsificador, que usa o ultrassom para concluir o processo. Há cerca de quatro anos, em um dos meus estudos, li que foi criado o primeiro laser que opera, de fato, a catarata. Ele foi descoberto em Nuremberg, na Alemanha, por um grande cientista que, inclusive, desenvolveu também o laser que opera a miopia. Essa tecnologia foi vendida para a Zeiss, fabricante alemã de sistemas ópticos, e o seu criador teve que ficar dez anos afastado do mercado, por questões contratuais. Quando acabou esse prazo, ele criou o nanolaser que utiliza um outro tipo de laser, chamado Neodimium YAG, que realmente emulsifica a catarata e, assim, ela pode ser aspirada de dentro dos olhos”, explica Eduardo Paulino. As vantagens da nova técnicaDe acordo com o oftalmologista, em primeiro lugar, está a delicadezado procedimento, já que esse laser não esquenta a ponta e emulsifica a lente dentro dos olhos de uma maneira bem mais sutil. “Além de ele fazer realmente todo o processo cirúrgico, que é definitivo, com maior segurança e menos trauma intraocular”. Chegada ao BrasilPaulino foi com sua equipe para a Alemanha fazer um treinamento em Nuremberg. “Depois, conferimos o trabalho do doutor Gangolf, grande cirurgião que já opera com esse laser. Durante esse processo, aconteceu a aprovação da máquina pela Anvisa. Os técnicos do órgão tiveram, inclusive, que ir à Alemanha reconhecer o aparelho. Agora, vamos começar o trabalho de apresentação da tecnologia para a comunidade no Congresso Internacional de Catarata e Cirurgia Refrativa, momento importante da oftalmologia no Brasil. O doutor Gangolf foi convidado para ministrar palestra e vamos fazer um curso especial no nosso instituto para todos os médicos que tiverem interesse em agregar essa nova tecnologia nos seus consultórios. Vamos capacitar os profissionais de todo o Brasil na nossa clínica”.