[[legacy_image_257822]] O avanço da tecnologia foi um fator que provocou intensa transformação no mundo que costumávamos conhecer antes da pandemia. Volátil, incerto, complexo e ambíguo já não são mais os adjetivos que necessariamente definem o ritmo da nossa sociedade; afinal, a velocidade e instantaneidade das informações mostram que estamos em um mundo frágil, ansioso e caótico, pois acabamos querendo tudo “para ontem”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No início de 2021, um novo termo surgiu no meio empresarial para substituir o já conhecido acrônimo VUCA: volatility, uncertainty, complexity, ambiguity, que significam volátil, incerto, complexo e ambíguo, respectivamente. A novidade trata-se do mundo BANI (brittle/frágil, anxious/ansioso, non-linear/ não linear e incomprehensible/incompreensível), uma evolução dos conceitos que nasceu quase um ano após o início da pandemia de covid-19. “O VUCA não explica mais a nossa realidade como o BANI, um mundo ansioso, em que cada vez mais a gente recebe em um dia informações equivalentes ao que os nossos avós recebiam em 70 anos”, afirma o especialista em liderança e carreira e escritor do livro Adeus Mundo VUCA, Bem-Vindo Mundo BANI, Alberto Roitman. Ele explica que dizer que o mundo é VUCA não ajuda mais. “É a mesma coisa que dizer que a gente tem que respirar e se alimentar. Isso não gera nenhum diferencial competitivo. Mas saber que o mundo é BANI nos dá direcionadores para a inovação e para a busca por soluções criativas”. ComparaçãoO VUCA nasce no contexto de mundo do fim da Guerra Fria. Durante muito tempo, esse acrônimo foi utilizado no aspecto bélico e não tardou para que as empresas o adotassem, já que elas também vivem em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo. Porém, estamos falando de uma realidade de 1991; de lá pra cá, o mundo mudou bastante. O BANI foi apresentado pelo professor Jamais Cascio. Segundo ele, a volatilidade cria fragilidade, as incertezas resultam em ansiedade, a complexidade nos traz a não linearidade, enquanto aquilo que era considerado ambíguo se tornou incompreensível. E nesse contexto, as situações deixam de ser apenas instáveis e passam a ser caóticas. Roitman diz que, hoje, vivemos um “grande reset”, pois ingressamos no mundo corporativo com determinados dogmas preconcebidos, como entre cedo e saia tarde e o famoso “trabalhe enquanto eles dormem”. “A principal característica do mundo BANI é um equilíbrio de vida pessoal, profissional, de corpo, mente e espírito. Não adianta nada mais você trabalhar, entregar um baita resultado e ter um burnout”. Como se preparar para este panorama --- Segundo especialistas, o mundo BANI é uma oportunidade para as empresas repensarem seus modelos de negócio e se adaptarem a um ambiente cada vez mais imprevisível. A pandemia de covid-19 acelerou muitas mudanças e as empresas precisam estar preparadas para lidar com elas. O mundo BANI é um conceito criado para gerar oportunidades, pois pode orientar empresas, além de direcionar decisões da vida pessoal e profissional de cada pessoa. “Há três comportamentos para prosperar no mundo BANI. Primeiro, se antecipar e identificar como serão o próximo consumidor do futuro, o próximo emprego e as relações de consumo. Ou seja, se eu me antecipo e consigo interpretar como vai ser o futuro, tenho como me diferenciar”, explica o especialista em liderança e carreira Alberto Roitman. Além disso, ele diz que é preciso ter uma capacidade rápida de aprendizagem. “Prospera nesse mundo quem aprende mais rápido do que o seu concorrente, do que o seu colega e até mesmo mais rápido do que o seu chefe”. Por último, mas não menos importante: é necessário ter a capacidade de fazer alianças estratégicas com as pessoas. “Quem tiver um excelente net-working e excelentes condições de criar alianças estratégicas vai prosperar no mundo BANI”.