[[legacy_image_276883]] Elas apostam as suas fichas tentando conquistar espaço em algo majoritariamente masculino. Reconhecido por ser um jogo de habilidade com uma pequena porcentagem de sorte, o pôquer possui cerca de 8 milhões de jogadores em todo o Brasil. Segundo levantamento da Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), que se dedica a esse tipo de jogo no País, as mulheres ocupam de 5% a 10% de tal universo. Já os clubes da Baixada Santista estimam que, de dez pessoas que entram para jogar nas casas do segmento, duas delas são mulheres. O pôquer é um jogo de estratégia e habilidade que pode ser praticado tanto on-line quanto presencialmente. Nele, o objetivo é utilizar as cartas para formar a melhor combinação e vencer os adversários. E em torneios e eventos locais, como o Circuito Praia Poker (CPP), que acontece em clubes da Baixada Santista, é possível encontrar mulheres unidas pelo amor ao jogo e pela busca por desafios. “Elas têm se interessado e demonstrado mais coragem de jogar”, afirma Mariana Spoltore, confeiteira e jogadora de pôquer, de 33 anos, ao explicar que cada vez mais vê mulheres nas mesas. A moradora de Santos e frequentadora dos clubes Six Poker, em Santos, e Poker na Praia, em Guarujá, acrescenta que, apesar de já ter ouvido comentários machistas durante as partidas, nunca deixou que “as provocações” influenciassem a relação dela com o esporte. Mariana começou no pôquer em 2017 por influência da irmã, que também é jogadora. “Um dia, fui com ela para conhecer. Sentei numa mesa e, na minha primeira noite, foram nove horas seguidas de jogo. Me apaixonei!”, explica. Hoje, a principal meta da santista é “apostar todas as fichas” no esporte para que, um dia, isso se torne a sua principal fonte de renda. [[legacy_image_276884]] Além da diversão e da paixão, uma forma de sobrevivênciaEm 2006, a ex-acrobata Danielle da Silva Araújo, de 39 anos, ficava por horas nos sofás dos clubes de pôquer esperando enquanto o marido jogava. Até que começou a se interessar pelo esporte e decidiu aprender a jogar. Nascida em Guarujá, hoje vive do pôquer sem precisar, de fato, jogar. “Jamais passava na minha cabeça que, um dia, eu poderia viver do pôquer. Hoje, ganho dinheiro não jogando, mas vendendo as fichas do jogo, pela internet”, explica Danielle. A princípio, a ideia era jogar, mas tudo mudou há seis anos, quando seu filho nasceu. “Gosto muito de jogos e torneios, porém eles demandam horas em frente ao computador. Com isso, decidi apenas vender fichas (para as pessoas usarem durante as partidas) para poder focar na maternidade”, relata. Danielle não tem um salário fixo, pois lucra por comissão. Inclusive, já chegou a ganhar R\$ 10 mil em um mês. “Quanto eu ganho depende muito do jogador para quem eu vendo as fichas. Já tive um tão bom que só ele pagava todas as minhas contas”. Para ela, o pôquer está se tornando um ambiente cada vez mais feminino apesar de sentir que ainda existe preconceito. “Nunca ninguém ousou falar nada de mim. Talvez por eu estar sempre acompanhada, mas dava para sentir no olhar, como quem dizia: ‘Será que ela não tem o que fazer?’” LegalizaçãoAlgumas pessoas podem ter uma visão negativa do pôquer, como algo capaz de levar a problemas financeiros e, muitas vezes, associado ao vício em jogos de azar. Mas o pôquer, considerado uma forma de entretenimento para maiores de 18 anos, foi legalizado no Brasil em 2018 depois de uma longa batalha jurídica e política. Antes dessa data, o jogo era ilegal no País, visto que a legislação nacional proibia qualquer jogo de azar. Em 2010, a Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), que se dedica a esse tipo de jogo no País, entrou com uma ação na Justiça pedindo a legalização do pôquer, argumentando que se trata de habilidade e não de sorte ou azar, e que, portanto, não deveria ser considerado um jogo de apostas. Com a decisão, a modalidade passou a ser regulamentada no Brasil e foi reconhecida como esporte da mente em assembleia da International Mind Sports Association (IMSA), assim como xadrez e damas. O pôquer é uma atividade que pode ser praticada em clubes, torneios e eventos, desde que siga as regras estabelecidas pela legislação brasileira. Clubes na Baixada SantistaSan Domenico Poker Club Avenida Pedro Lessa, 2.370, Santos;Six Poker Club Avenida Ana Costa, 473, 3o andar, Santos;Poker na Praia Avenida Miguel Stéfano, 3.989, Guarujá.