[[legacy_image_328466]] Há quatro anos, noticiários do mundo inteiro acompanharam a disseminação do que viria a mudar o comportamento de toda uma sociedade. Aos poucos, países fecharam fronteiras, o álcool em gel se tornou uma necessidade, viagens foram canceladas, shows acabaram adiados e as pessoas se trancaram em casa. A forma de trabalhar também já não era a mesma. Os escritórios cheios e movimentados esvaziaram-se e a casa do funcionário se transformou em um local de trabalho. Antes da pandemia, apenas 5% dos brasileiros empregados faziam home office em algum nível, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2021, este índice chegou a 9,8%. Na última pesquisa, do final de 2022, mostrou queda para 7,7%. Uma memória de uma época não tão distante ainda é fresca ao se referir ao retorno à normalidade. O debate no mercado sobre as modalidades de trabalho ainda é recente e aberto a diferentes aplicações. Porém, o especialista Anderson Bars, CEO da Escola do Caos, empresa especializada em Desenvolvimento e Inovação, afirma que o futuro será híbrido. “O home office não vai chegar ao fim. Todos os dados de pesquisa mostram que existem perdas no home office, assim como há ganhos. O home office puro, como a gente conhece, vai tender sim a cair. Mas, não acredito que a gente vai voltar ao modelo do passado, em que éramos trabalhadores completamente presenciais. A aposta das principais organizações do mundo é no modelo híbrido”. Equilíbrio perfeitoBars explica que o modelo híbrido é uma forma de equilibrar a necessidade de se fazer a manutenção da cultura organizacional das empresas ao mesmo tempo que os trabalhadores também conseguem usufruir de ganhos que eles podem com alguns dias por semana no modelo home office. Um estudo da empresa norte-americana Gallup demonstra que as pessoas que trabalham de forma presencial são mais propensas a procurar por outros empregos, buscando novos desafios. Esse mesmo público também tende a desenvolver exaustão e síndromes relacionadas ao esgotamento, como o burnout. “Todas as principais companhias do País com as quais eu me relaciono estão em plena execução dessas políticas (de modelo híbrido). O caso de vagas completamente presenciais, ao meu ver, vai continuar sendo exceção, não regra. O modelo de trabalho continua sendo híbrido e vai crescer cada vez mais em 2024”. Para que este sistema seja executado de forma em que a cultura da empresa não acabe prejudicada, o especialista informa que existem determinadas ações e trocas que são fundamentais de forma presencial, exaltando a colaboração dos colegas de trabalhos, a construção e a criação. Bars também destaca que é o momento para fortalecer laços entre a equipe. “É mais do que certo que conseguimos construir relações de confiança presencialmente numa velocidade maior do que no home office”. Outro ponto é quando precisamos criar ou ter momentos de troca, “Estar presencialmente no mesmo ambiente é algo que viabiliza essas iniciativas. No Brasil, as organizações têm estabelecido políticas para que os colaboradores estejam juntos no ambiente presencial duas ou três vezes por semana”. No sistema híbrido, Bars destaca que o trabalhador terá a opção de escapar dos horários de pico no trânsito ou do transporte público lotado, além de uma melhor conciliação entre a vida pessoal e profissional. Também garante que o tempo despendido em transporte seja gasto com a família e amigos. “Grandes organizações brasileiras implementaram as suas políticas de trabalho híbrido, bem dizer, há um ano. Ou seja, é algo absolutamente recente e isso vai continuar ganhando maturidade pelos próximos anos”.