(Adobe Stock) Completei 50 anos recentemente. Vivendo grande parte dessa trajetória de ler, escrever, ensinar e aprender, resolvi fazer uma viagem no tempo para buscar minhas próprias raízes como leitor. Antes, a gênese disso tudo. Minha mãe sempre foi austera com o meu desempenho na escola. Esse comportamento foi colocado em um caldeirão onde o meu pai teve um papel essencial, quando começou a me trazer, quase que diariamente, todo tipo de histórias em quadrinhos. Após uma trajetória como leitor de gibis, encontrei em uma estante da casa onde morava a obra Capitães de Areia (Jorge Amado). Ali percebi que era possível construir imagens da narrativa na mente e considero este momento como um rito de passagem. Na escola, foram os livros da Coleção Vaga-Lume os responsáveis pelos meus primeiros contatos com a literatura. A Ilha Perdida (Maria José Dupré), Um Cadáver ouve Rádio (Marcos Rey) e O Escaravelho do Diabo (Lúcia Machado de Almeida) são alguns dos títulos que mais me marcaram. Na época, li também O Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley). Foi, talvez, minha primeira leitura mais densa e lembro de ter gerado grande polêmica. Algumas mães foram até a escola reclamar da professora de Ciências Mara Valéria, que tinha solicitado a leitura. Achavam que não era um livro para adolescentes. No colegial e nos primeiros anos de faculdade, lia tudo o que passava pela minha mão. No colegial, influenciado pelo rock e pela música popular, conheci a literatura beat em obras como On the Road (Jack Kerouac) e Uivo (Allen Ginsberg), além de outros autores, como Bukowski, Kafka, Oscar Wilde, Fernando Sabino e Eça de Queirós. Fiz uma lista de alguns dos livros que li até os 20 anos que ainda permanecem presentes na minha memória e, após tantos anos, sobreviveram ao filtro do tempo. Capitães de Areia, de Jorge Amado O livro foi minha passagem do leitor de quadrinhos para outras linguagens literárias. Percebi como era fascinante ler e construir o seu próprio imaginário, criando os cenários, os personagens e as situações. On the Road, de Jack Kerouac Sou grato por ter conhecido On the Road antes dos 20 anos. A narrativa frenética e apaixonada que relata as andanças de Kerouac pelas estradas norte-americanas nos anos 1940 é um frescor, um delírio poético e apaixonado. O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller Merece estar na minha lista, não só como homenagem à linguagem que me transformou em um leitor, mas, principalmente, por Frank Miller ter levado os quadrinhos ao status de arte. Brasil: Nunca Mais O livro que me inspirou o desejo de ler sobre política. Por causa dele, li quase tudo que havia sobre a ditadura militar e a luta armada publicado na época. Encontro Marcado, de Fernando Sabino Talvez o livro mais marcante que li antes dos 20 anos e que voltei a ler em outras duas fases da minha vida. Impossível não recordar desse trecho da obra: De tudo ficaram três coisas... A certeza de que estamos começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que podemos ser interrompidos antes determinar... Façamos da interrupção um caminho novo... Da queda, um passo dedança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro! E você? Consegue fazer uma lista dos livros que marcaram o início da sua trajetória como leitor?