[[legacy_image_183471]] Somos seres migrantes, por natureza. Da África, dos fósseis ancestrais, à América muito antes de Colombo, humanos se dispersam, seja em juncos, balsas, carroças, automóveis ou aviões. Para quem crê que espaçonaves venham a ser a nossa próxima jangada pelas estrelas, uma nova abordagem propõe uma curiosa alternativa: viajar pelo infinito, em planetas errantes. Ainda pouco conhecidos e repletos de mistérios, esses corpos celestes têm como principal e mais óbvia característica o fato de não estarem presos a uma estrela. Dessa forma, vagam pelo universo. Para a pesquisadora Irina Romanovskaya, do Departamento de Física e Astronomia do Houston Community College (EUA), no futuro, ou hoje, no caso de uma civilização extraterrestre avançada, a proposta de viajar em um planeta errante faz muito sentido. 100 bilhões de planetasPor isso, Irina propõe que os cientistas que vasculham o universo em busca de outras civilizações fiquem atentos a esses corpos celestes. Em seu ensaio, a pesquisadora até mesmo aventa a hipótese de que algum deles já tenha visitado a nossa galáxia – onde estima-se existir 100 bilhões de planetas, dos quais 17 bilhões acabam sendo parecidos com a Terra. Até hoje, já identificamos cerca de 5 mil, mas poucos desses estão na chamada “zona da vida”, nem tão perto nem tão longe de sua estrela. Expandindo o campo para além da Via Láctea, as probabilidades (e a imaginação) disparam. Mochileiros cósmicosExistindo, esses “mochileiros cósmicos”, como Irina os denomina, precisariam gerar energia a partir da fusão nuclear, habitar o interior rochoso das esferas planetárias e coletar água dispersa em blocos, como nos anéis de Saturno. A fusão (ou outra fonte desconhecida de energia) é abundante, limpa e renovável, algo que a nossa Ciência ainda não tornou viável. Já a moradia subterrânea protege contra radiação, enquanto os recursos hídricos tendem a ser praticamente indispensáveis. Esses mochileiros deveriam ainda saber “dirigir” os seus planetas, não apenas com o objetivo de alcançar lares definitivos, mas também para escapar de perigos à espreita, como asteroides, que pululam pelo espaço em número incalculável. 800 mil km/hA resiliência, termo bem típico do momento em que vivemos, seria outra condição básica, ainda mais para quem, na vastidão que o cerca, busca um lar definitivo, algo muito difícil de encontrar. Não que nós, terráqueos, não estejamos a viajar pelo cosmos. Mesmo presos à nossa estrela, a qual gira (translação) a 107 mil km/h, nosso Sistema Solar move-se a mais de 800 mil km/h pelo espaço. Mas, convenhamos, poder contar com uma estrela cativa e vizinhos conhecidos é bem mais confortável. Todos os “insumos” estão à mão, até mesmo para transformá-los em outras Terras, uma hipótese que os cientistas chamam de terraformação. Todas essas mirabolantes possibilidades dependem, entretanto, de atingir o que outros cientistas classificam como maturidade planetária, paz e harmonia para grandes objetivos comuns. Até lá, a fantasia de migrantes estelares será apenas uma fascinante fantasia. [[legacy_image_183472]] FlutuantesPlanetas errantes, também chamados de flutuantes, são conhecidos há pouco tempo. Menos de 30 já foram identificados. O mais próximo estaria há 100 anos-luz (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros e, a título de comparação, o Sol dista da Terra 150 milhões de quilômetros). Difíceis de achar e rastrear, o seu estudo ainda é muito desafiador. Apesar disso, cálculos sugerem que possam existir bilhões flutuando livremente. Podem ser do tamanho da nossa Lua ou gigantescos como Júpiter (que tem 300 vezes a massa da Terra, imagem). É provável que o divórcio de suas estrelas se deu por algum efeito gravitacional. E, como são um ótimo mistério, são candidatos a ocuparem os nossos esforços científicos ao longo das próximas eras de nossa jornada. [[legacy_image_183473]] Velas ao SolComo um veleiro levado pelo vento, o espaço pode ser “velejado” com ajuda do Sol. São as velas solares, grandes painéis que captam a pressão da radiação solar. O conceito existe há décadas e a Nasa, agora, resolveu incluí-lo no seu programa de inovação, com uma nova tecnologia que permite maior eficiência. Se der certo, o projeto é ousado: instalar uma constelação de velas solares ao redor de nossa estrela, gerando informações muito mais precisas do que atualmente, fundamentais, por exemplo, para a segurança dos satélites.