[[legacy_image_294149]] Não é de hoje que a indústria do audiovisual argentina tem uma produção mais consistente e de muito mais qualidade do que a nossa, com as honrosas exceções de sempre. Assistir à minissérie Meu Querido Zelador, que encontrei perdida em meio às comédias do streaming Star+, confirmou minhas certezas. Chancelado pela Disney local, o show, em 11 episódios, tem excelente produção, ótima direção de arte e o mais importante: uma excelente história que vale cada segundo de audiência! Toda a ação se passa em um condomínio de alto padrão, mas que, por ser mais antigo, não conta com muitas opções de lazer. O novo síndico, Matías Zambrano (Gabriel Goity), decide que o topo do edifício é o lugar perfeito para construir uma piscina. O problema: a casa do zelador fica justamente na área que será destruída para a obra. O zelador é o senhor Eliseo (Guillermo Francella), que há 30 anos vive e trabalha no local. Ele conhece todo mundo, todos o conhecem e sua presença e trabalho são aparentemente fundamentais para o funcionamento do lugar e até mesmo na vida particular dos moradores. Conhecemos alguns deles, como o casal que colabora com o projeto do síndico, a idosa frágil fã do zelador e a família que, no começo da trama, está viajando. Mas… sob a aparência respeitável e ultraeducada, Eliseu esconde personalidade peculiar, para dizer o mínimo: é controlador, manipulador, cínico e não tem qualquer crise ética ao invadir os apartamentos e usar as coisas dos proprietários, alugá-los quando eles saem de férias e nem mesmo hesita de espioná-los diariamente de binóculo, do topo do prédio ao lado. Quando Eliseo descobre os planos do síndico – que incluem sua substituição por um serviço terceirizado e mais barato –, ele se prepara para a guerra. E que guerra divertida podemos acompanhar! Sob o manto do humor, sempre presente em toda a história, desenrola-se uma trama de suspense, traição e vingança deliciosamente engraçada. Não por acaso a alma do show lembra muito outras produções argentinas recentes, como o ótimo O Cidadão Ilustre, que tem os mesmos Mariano Cohn e Gastón Duprat na direção e produção. Uma série divertida, viciante e tensa, que nos faz viajar entre os episódios sem perceber que tanto tempo já se passou! É muito bom conhecer também a produção televisiva dos hermanos argentinos e saber que o mundo audiovisual latino vai muito além das novelas. Uma ótima opção que, apesar de não trazer nenhuma grande inovação, conta uma boa história de uma forma excelente. Indico! Nota do crítico ++++ +++ Novo Miyazaki chegandoO novo – e provavelmente último – filme do mestre japonês da animação Hayao Miyazaki estreiana próxima quinta-feira no Festival de Toronto, no Canadá. Em The Boy and the Heron, que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, um garoto chamado Mahito Maki se muda para uma cidade rural com a qual não combina. Mas ele descobre uma misteriosa torre abandonada em um bosque e, através dela, embarca em um universo alternativo cheio de magia. É o primeiro filme em dez anos de Miyazaki, responsável por sucessos como Meu Amigo Totoro, A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado – e ele já anunciou que será seu último. A produção, como em todas as suas histórias anteriores, é do renomado estúdio Ghibli.