Mergulhando no Amor na Netflix (Divulgação) Quem me acompanha por aqui há algum tempo sabe que quando o assunto são comédias românticas, meus comentários são muito parciais, pouco objetivos e quase sempre positivos. Eu já começo a assistir gostando, geralmente, e é preciso ser muito ruim para estragar esta sensação. Tenha isso em mente ao ler este comentário de uma produção da Netflix: Mergulhando no Amor. Trata-se de uma história água com açúcar e sem grandes novidades, com desfecho previsível e que é estrelada por um galã feio: o cantor Harry Connick Jr. Connick é um cantor de jazz já com certa tradição, com sucessos populares como It Had to Be You, mas que também é conhecido dos fãs de filmes e séries. É o amigo de Hilary Swank em P.S. Eu Te Amo, fez um vilão assustador em Lei e Ordem SVU, participou de blockbusters como Independence Day e de sitcoms como Will & Grace em um papel regular. Não é especialmente bonito nem é um ator muito expressivo. Mas tem carisma e simpatia. Toda esta lista, que poderia ser de defeitos, funciona bem no gênero e me prendeu. O filme segue a fórmula do estrangeiro que tenta se encaixar em um país cuja cultura é muito diferente da sua, mas que acaba se envolvendo nos assuntos locais e, claro, se apaixonando por uma bela mulher. Connick é John Allman, um astro do rock que, depois do fracasso de seu último álbum, se isola na ilha mediterrânea do Chipre. Ele vai morar em uma casa que estava abandonada há décadas, à beira de um precipício, mas logo descobre que o lugar, lindíssimo, é um dos preferidos não apenas da população local, como de gente de todo o mundo, para cometer suicídio. Em meio ao trabalho para tentar isolar o precipício com uma cerca, John frequenta a pequena cidade a poucos quilômetros de sua casa e faz amizade com o delegado de polícia local e com uma jovem aspirante a cantora - Melina - que não será seu interesse romântico, mas de quem vai se aproximar bastante ao longo do filme. Ambos os personagens serão muito importantes na trajetória de John. Ele também reencontra um antigo amor do passado, Sia, que hoje é a única médica da cidade. E fica óbvio que a relação entre os dois não teve um bom final. Ou, na verdade, não teve final, o que ambos demonstram muito claramente que estão dispostos a resolver. Ele também acaba se tornando um guardião do precipício e salva algumas pessoas do destino trágico na base do papo. Há outros personagens interessantes na trama, que a seu tempo vão assumir alternadamente o papel de coprotagonistas: a irmã de Sia, Koula, responsável por fornecer a alimentação ao estrangeiro, e a matriarca da família, Marikou. Elas são responsáveis pela dinâmica bem diferente entre a família e a razão das poucas risadas do filme. Se você quiser levar o filme a sério, vai pensar que já assistiu a esta história dezenas de vezes, como em Casamento Grego, por exemplo. As canções também não são inspiradas o suficiente para segurar a obra. Mas a coisa toda é contada de forma tão simpática e doce que o espectador acaba se envolvendo na história e vai até o fim do filme.