[[legacy_image_224536]] O oncologista Franklein Vieira Maia, coordenador médico e responsável técnico pela quimioterapia do plano Santa Saúde, responde dez perguntas e traça um panorama do câncer no Brasil e, mais especificamente, na Baixada Santista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quais os tumores mais incidentes no Brasil e na Baixada Santista? O Brasil segue o panorama mundial, onde lideram os cânceres de mama nas mulheres, seguidos de cólon do intestino, colo do útero e pulmão. Nos homens, os mais incidentes são os de próstata, de cólon e de pulmão respectivamente. A Baixada Santista possui o mesmo padrão de distribuição e de prevalência de cânceres do restante do Brasil, com tendência a ter um maior número de casos de cânceres de colo do útero nas mulheres, perdendo apenas para o de mama. A prevenção é sempre ligada à qualidade de vida que a pessoa leva? E o diagnóstico precoce com exames faz toda a diferença no prognóstico do tumor? A prevenção primária do câncer é a forma mais efetiva de combate à doença. E isso é feito praticando atividade física regularmente, alimentando-se de forma balanceada e evitando o sedentarismo e a obesidade. Hoje, a vacinação também é uma excelente forma de prevenção, como acontece com a vacina contra HPV, disponível na rede pública para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Já a prevenção secundária fica por conta das visitas médicas regulares e exames preventivos, que também são muito importantes, porque são capazes de identificar tumores em fases iniciais, aumentando as chances de cura. Quais os principais exames de rastreio e a partir de qual idade devem ser feitos? Para o câncer de mama, é a mamografia, que deve ser realizada entre 40 e 69 anos, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, além do exame papanicolau oferecido entre pacientes de 25 a 64 anos, que estão ou tiveram vida sexual ativa. De forma geral, para ambos os sexos, a colonoscopia após os 50 anos também é indicada. Os tratamentos acabam sendo sempre individualizados? Atualmente, tratar o câncer se faz, sim, de forma individual, sobretudo após o advento da oncologia molecular, na qual podemos identificar, em muitos casos, a mutação originária do tumor no paciente. Tal feito permite oferecer medicações personalizadas. A medicina está em constante avanço, mas, sobretudo no tratamento do câncer, ainda há muito a melhorar. O que há de mais moderno no combate ao câncer? E o que temos de melhor aqui na Baixada? Hoje, temos a imunoterapia, que revolucionou o tratamento de vários subtipos de tumores e possibilita melhores resultados, com ganhos importantes em qualidade e tempo de vida, dependendo do estágio em que o tumor é diagnosticado. Há também o advento do Car T cell, terapia celular na qual as células imunológicas são tratadas por anticorpos específicos e esses irão destruir as células tumorais, sobretudo nos casos de linfomas. Conquistamos tratamentos de ponta, que hoje estão disponíveis na Baixada Santista. O que há de mais moderno no mundo já existe Brasil. As aprovações da vigilância sanitária estão cada vez mais aceleradas, sobretudo por reconhecerem a importância das novas tecnologias em saúde. Hoje, temos aprovações no Brasil com atraso de seis meses em relação aos Estados Unidos, ainda é muito tempo quando falamos de câncer, mas avançamos, já que esse tempo chegou a ser de quase dois anos. E os efeitos colaterais, hoje em dia, são mais brandos? Os efeitos colaterais são menos frequentes com a modernidade do tratamento, mas ainda existem e devem ser monitorados pelos médicos. Quais os tipos de tumores mais fáceis de tratar e de prevenir? Os mais fáceis de tratar são aqueles cujo diagnóstico é precoce, porém, especialmente os de pele não melanoma são mais brandos e, normalmente, com uma simples cirurgia são solucionados. Os tumores mais facilmente evitáveis também são os de pele, usando protetor solar e controlando o tempo da exposição aos raios UVA-UVB. O de colo do útero também pode ser diagnosticado precocemente, com o exame papanicolau e a vacina contra o HPV, oferecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde. Quais sintomas merecem uma melhor investigação? De forma geral, os cânceres quando apresentam sintomas habitualmente estão mais avançados. O ideal é prevenir com visitas médicas de rotina, porém devemos nos manter atentos a sangramentos intestinais, mudanças nos hábitos intestinais, com diarreia ou constipação por mais de 30 dias sem melhora, emagrecimento sem causa aparente, machas na pele que estão crescendo aceleradamente ou que sangram, sangramentos vaginais fora de período menstrual, dores na relação sexual, sangramentos na urina, caroços nas mamas, mancha na pele das mamas, secreção sanguinolenta ou de coloração não habitual que sai pelos mamilos, feridas na boca, lábios e gengiva que não cicatrizam. Esses são sintomas comumente encontrados quando algo pode não estar bem no nosso organismo. Há novas técnicas que facilitam o diagnóstico do câncer? Existem técnicas novas para diagnóstico de câncer, embora ainda não sejam totalmente acessíveis, como a biópsia líquida. Essa é uma nova forma de detectar partículas do DNA tumoral circulante na corrente sanguínea e, uma vez identificadas, o teste é capaz de sinalizar a origem tumoral e, em alguns casos, de determinar subtipos biológicos de tumores, como o câncer de pulmão. O estigma do câncer mudou ou ainda é uma doença que assusta muito, tanto os pacientes quanto os médicos? Infelizmente, o câncer ainda é uma doença carregada de estigmas. O paciente bem como o seu convívio familiar e social ficam abalados pelo diagnóstico, ao ponto de não mencionarem a palavra câncer e até mesmo entenderem que ter câncer “significa invariavelmente morrer sofrendo”. A categoria médica, cuja especialidade não está envolvida diretamente no diagnóstico e tratamento do câncer, ainda hoje mantém o estigma também da doença. Claro que não podemos relativizar a doença e seus prejuízos físicos e emocionais, mas, hoje, a modernidade de tratamentos e técnicas cirúrgicas possibilita taxas de cura e qualidade de vida muito maiores do que nas décadas anteriores. Cabe à comunidade médica e até aos jornalistas auxiliarem nesse processo, desmitificando a doença, principalmente por meio da informação.