[[legacy_image_260602]] O ponteiro do relógio ainda não havia ultrapassado 6 horas da manhã. Quando cheguei à academia do navio, logo vi que o Costa Toscana já se aproximava do Porto de Mascate, capital de Omã. Era a primeira parada da embarcação, que havia saído de Doha, no Catar, dois dias antes. Desembarcamos do navio para conhecer a cidade, por volta das 9 horas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No cais, os jornalistas que cobriam a viagem pegaram uma van até o pequeno terminal de passageiros. E logo na chegada, um susto. Eu carregava na mochila um microfone, para gravação de reportagem sobre a viagem para a TV Tribuna, e a presença do equipamento foi acusada no escâner da imigração. Fui levado para uma sala, onde aguardei a chegada das autoridades aduaneiras. Após cerca de 15 minutos de espera, fui informado que não poderia entrar no país com o equipamento. Por isso, tive que retornar ao navio para deixar o microfone na cabine e, logo em seguida, voltar para o setor de imigração. Perdi 30 minutos do passeio. Mas consegui entrar no país. E logo na saída da Alfândega, encontrei dezenas de taxistas, oferecendo pacotes para conhecer a cidade. Nós resolvemos fazer um passeio a pé, já que vários pontos interessantes ficavam próximos do porto. Mascate é uma cidade cercada por montanhas. Ela chamou a atenção por causa das avenidas largas e do grande movimento de veículos. E nas avenidas, encontramos fortalezas, construídas a partir de 1508, quando Omã foi invadida pelos portugueses. O país é o único do Oriente Médio que chegou a ser dominado por Portugal. Isso aconteceu até 1659, quando os omanitas expulsaram os portugueses. Após recuperar a independência, Omã chegou a se tornar um dos países mais promissores da Ásia. O Porto de Mascate também já foi o mais importante do Oriente Médio. Respeito às origensMascate se tornou, nos últimos anos, uma cidade muito procurada pelos turistas que fazem cruzeiros pelo Oriente Médio. Mas os cenários cenográficos - comuns em cidades como Dubai, nos Emirados Árabes, e Doha, no Catar – não ganham tanto destaque na capital de Omã. Mascate ainda guarda muitas tradições. A arquitetura árabe é o grande destaque, resistindo às torres imensas, com fachadas envidraçadas. E a maior parte dos prédios tem no máximo seis andares e é pintada de branco ou bege. Um dos principais passeios é o Souq Muttrah, uma espécie de mercadão árabe. Ele fica perto da orla e abriga centenas de pequenas lojas. Lá, é possível encontrar de tudo: desde temperos e frutas secas até roupas e bijuterias. Grande parte das lojas vende tecidos. Tudo muito colorido, como manda a tradição. O Souq Muttrah é formado por várias ruas, todas cobertas. O prédio é moderno, mas, por dentro, o comércio é antigo e tradicional. As lembrancinhas de viagem têm preço acessível. E um tipo de loja é uma herança cultural: o que vende os sapatos femininos, feitos à mão. Quando passamos por um hipermercado comum, a curiosidade falou mais alto. Resolvemos entrar para comparar com o que temos no Brasil. E tudo é muito parecido, dividido por seções. A variedade de frutas e legumes se mostra grande. Mas o que chamou a atenção é que, em todos os alimentos, havia uma placa com a bandeira do país de origem. A maior parte vinha de outras nações da Ásia, como Índia, Indonésia e Paquistão. A Grande Mesquita do Sultão Qaboos é a principal atração de Mascate. O prédio foi concluído em 2001, para comemorar os 30 anos do sultanato de Qaboos bin Said Al Said, que está no trono desde 1970. A mesquita esbanja grandiosidade e luxo. Tem capacidade para receber até 20 mil pessoas. E abriga o segundo maior tapete feito à mão do mundo, que pesa 21 toneladas e levou quatro anos para ficar pronto. Permanecemos em Mascate até o meio da tarde e ficamos com uma impressão muito positiva dessa capital, erguida entre montanhas. O Costa Toscana partiu de Omã no início da noite, para um dia inteiro de navegação até o próximo destino: os Emirados Árabes Unidos. O CruzeiroO Costa Toscana, maior navio da companhia italiana Costa Crociere, fez a sua última viagem pela Oriente Médio neste ano entre os dias 12 e 18 de março. A Tribuna embarcou no cruzeiro que, além de Mascate, em Omã, passou por Doha, no Catar, e Abu Dhabi e Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Para conferir outras reportagens dessa cobertura, acesse atribuna.com.br/variedades/domingo-mais.