(Priscila Prade/Divulgação) Marco Luque acaba de estrear um papel bem diferente do que estamos acostumados a vê-lo. No filme Passagrana, ele faz um policial durão. O longa conta a história de quatro amigos, Zoinhu (Wesley Guimarães), Linguinha (Juan Queiroz), Alãodelom (Wenry Bueno) e Mãodeló (Elzio Vieira), que se conhecem desde criança e vivem de pequenos golpes para ganhar uns trocados, até que tudo muda quando surge uma oportunidade: um roubo que renderia muito dinheiro. Nessa entrevista, Marco Luque fala deste desafio, também dos seus personagens mais famosos e do início do sucesso, além de novos projetos. Em Passagrana, que acabou de estrear, você faz um policial, papel bem diferente dos que estamos acostumados a vê-lo. Como foi esse desafio de sair do personagem com toque de humor? Foi uma experiência muito diferente para mim. Foi desafiador, mas ao mesmo tempo muito divertido. Gosto bastante de me desafiar neste sentido, tentar algo diferente, novo. Quando recebi o convite e dei uma olhada na história, não pensei duas vezes em aceitar. Acho que eu sou um ator versátil e que pode flutuar bastante entre o humor e a dramaturgia. As pessoas podem esperar mais de mim nesses papéis, quero sempre trazer mais desses desafios para a minha carreira. O personagem Jackson Faive é um grande sucesso. Por que você acha que ele caiu tanto no gosto do público entre tantos que você já fez? Acho que tem muito a ver com a identificação do público com o personagem. Muitos trabalhadores, atuando como motoboys e motogirls ou não, acabam se identificando com as mensagens e com o humor do Jackson. Eu acabo trazendo muito da rotina corrida, dos desafios do cotidiano deles, mas de uma forma bem leve. Acredito que grande parte do sucesso é por conta dessa empatia e da sensação de pertencimento das pessoas que estão assistindo. Nas redes sociais, você tem mais de 15 milhões de seguidores. Como é estar sempre conectado com o público? Você gosta dessa interatividade constante? Ou tem dia que quer desligar? Eu gosto muito de interagir com o meu público. Sempre recebo muito carinho nas minhas redes sociais, nos meus espetáculos e em todo lugar que vou costumo ser bem recebido. Mas acho que é sempre a questão do momento, né? Eu gosto de estar sempre conectado com eles, mas também preciso tirar um tempinho para mim. Ninguém consegue ficar conectado o tempo todo nas redes sociais. Esse respiro é importante até para a nossa saúde. Acredito que tudo na dose certa faz bem. Além do cinema, da TV, você ainda faz stand-up e sempre está com novos espetáculos. O que tem de novidade para este ano? Para este ano, estou fazendo pela última vez a minha turnê com o show Dilatados, onde eu trago dois dos meus principais personagens: Jackson Faive e Mustafary. É um show que eu tenho muito carinho e que passei alguns anos da minha vida fazendo, então estou colocando meu coração nessas últimas apresentações. Depois dele, vou tirar um tempinho para pensar, mas já penso em fazer algo novo, talvez trazendo outros personagens meus que são queridos pela galera, mas vamos ver. Ainda vou desenhar todo esse projeto e vocês ficarão sabendo em breve! Com a agenda tão cheia de projetos, como tira tempo para a família? Suas filhas curtem seu trabalho, opinam, se interessam? A família é nosso bem mais precioso, então elas sempre vão ser a minha prioridade. Nós temos uma relação bem legal de amizade mesmo, de parceria, e elas sempre gostam de opinar e se interessam muito pelo que eu faço. Temos muitas trocas a respeito do meu trabalho e eu procuro escutá-las, porque sempre pode sair alguma lição valiosa das nossas conversas. No programa CQC, havia invariavelmente um cunho político no humor. Contudo, você não costuma usar o tema em seus trabalhos. Não é seu estilo ou você evita esse tema? Meu estilo de humor é diferente. Mas, nem por isso deixo de abordar assuntos que considero importantes no dia a dia. Por exemplo, com o Jackson Faive, de uma forma sutil e descontraída, trago um pouco da precariedade e dos desafios do trabalho como motoboy. Com o Mustafary, trago debates sobre questões da sustentabilidade, cuidado com os animais, mas sempre da forma mais leve possível.