[[legacy_image_313033]] No meu texto anterior adiantei a vocês que esta próxima crônica traria algumas reflexões de um livro que estou lendo. É o segundo da ex-primeira dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. Gostei muito do anterior, Minha História, uma autobiografia que trazia detalhes dos tempos de Casa Branca, a relação com Barack Obama e todas as frentes em que ela, como mulher, precisava atuar: mãe, esposa, filha, profissional, dona de casa, ativista, entre muitos outros papéis que não escapam nem a uma figura pública se essa é uma figura pública feminina. O atual livro, Nossa Luz Interior, dei de presente para minha mãe. Trocamos muitos livros entre nós. E minha mãe tem um dom especial em indicar leituras que caem como uma luva no momento que estou vivendo. Mães sempre sabem. Não sei como, mas sabem. Então, um dia ela veio me visitar junto com meu pai, trazendo o livro já lido, dizendo “agora lê você”. Confesso que o título desta segunda obra de Michelle não me atraiu muito. Pensei se não entraria em ideias chavão. No entanto, sinceramente, às vezes tudo que a gente precisa é ouvir/ler clichês que nos lembram o óbvio, ou nossa força, ou como encarar desafios e mudanças. Nossa Luz Interior é mais do que isso. Nos autoajuda, sim - e quem não está precisando? Mas é, principalmente, um entendimento do quanto nossa história de vida molda nossa maneira de lidar com o mundo que nos cerca e que também dispomos de recursos para reorganizar nossas emoções e sentimentos. Me identifiquei demais com o capítulo em que ela fala da importância das amigas, por exemplo. Um dos pontos que Michelle traz, e que não podemos desconsiderar, é que viver uma pandemia foi algo colossal. Naturalmente, talvez demoremos para retomar o equilíbrio e as perdas vão reverberar por anos. Não só individualmente, mas como uma consciência coletiva. Por outro lado, é um momento histórico de incertezas que não sumirão. E quando o equilíbrio é impossível somos obrigados a evoluir entendendo que as coisas não são fixas. Em um trecho, ela diz: “Sempre que sua situação começar a parecer intransponível, sugiro que tente ir na direção oposta - em direção às pequenas coisas. Procure algo que ajude a reorganizar os pensamentos, um cantinho de contentamento em que possa viver por um tempo. E não estou falando de se sentar passivamente diante da televisão ou rolar a tela do celular. Ache uma atividade que exija de sua mente, mas use o corpo todo. Mergulhe no processo. E se perdoe por fugir da tempestade por um tempo.” O que Michelle busca no decorrer das páginas é mostrar que todas e todos nós temos dores que se transformam em medos, que se transformam em limites. Nada pior do que existir e decidir com base nas limitações que nos tiram o brilho da vida. Uma vida que não é simples. É bem complexa. Se ainda tirarmos aquilo que nos ilumina ou não formos atrás do que possa nos iluminar, aquecer nossos corações e criar significado para os dias, vamos colapsar. Ainda não terminei de ler tudo. Mas já compreendo o pensamento da autora como uma sugestão de processo de cura de muita coisa que carregamos. Inclusive alguns sofrimentos e temores geracionais, ancestrais, que se repetem em família e que, com conhecimento, podemos parar em nós. P.S.: para um olhar interno sincero como parte dessa cura, sugiro a vocês, depois desse texto, a música Me Curar de Mim, da artista pernambucana Flaira Ferro. Uma poesia para ressignificar o que foi e embalar o que nascerá de bom.