[[legacy_image_244161]] Dor e inchaço podem sinalizar lipedema, também chamado de síndrome da gordura dolorosa e que, na maioria das vezes, atinge as mulheres. São quase 400 milhões de pacientes no mundo com essa doença, que ocasiona acúmulo anormal de gordura em algumas regiões do corpo, como braços, pernas e joelhos. Segundo a cirurgiã vascular Veridiana Brito, não se trata de uma doença nova. “O lipedema já foi descrito desde 1940. No entanto, novos estudos estão sendo feitos”. A médica explica que o mal nada tem a ver com obesidade, embora mais de 50% das pacientes com esse diagnóstico também sejam obesas ou tenham sobrepeso. E como saber se é ou não lipedema? De acordo com a especialista, em geral, o relato nas consultas inclui histórico de anos com dietas fracassadas, nas quais não se consegue diminuir o volume das pernas. “Há uma desproporção no corpo. As próprias pacientes se identificam porque observam a diferença, principalmente da cintura para baixo ou para cima, com inchaços nas extremidades (braços e pernas)”. A médica vascular ressalta que, com as dietas, as pacientes costumam emagrecer muito, inclusive na barriga, mas não perdem o volume das pernas. Essa é a principal característica da doença. Cerca de uma em cada 10 mulheres no mundo sofre com o problema, que pode aparecer de diferentes formas e em vários estágios. “Costuma atingir o quadril, as coxas, os braços, a região do joelho para baixo ou mesmo a perna toda. E o grau varia, dependendo do nível de acometimento”. Identificar o problema nem sempre é fácil. Não existe um exame específico que denuncie a doença. “A gente une o quadro clínico com a queixa do paciente”, diz Veridiana Brito. Para fechar o diagnóstico, são solicitados exames de sangue, geralmente acompanhados de uma densitometria óssea, para avaliação dos volumes corporais e conseguir especificar onde e como ocorre a distribuição da gordura”. Segundo Danielle Andrade, fisioterapeuta dermatofuncional, a drenagem linfática é uma grande aliada no tratamento, porque promove alívio no inchaço. “O lipedema, em geral, vem acompanhado de celulite e flacidez. Diminuir o edema melhora muito a dor, já que os pacientes sofrem porque o acúmulo de gordura é resultado de uma inflamação”. Conforme a médica vascular, existe um acúmulo de líquido e de gordura. Por isso, o tratamento é sempre multidisciplinar e vai depender da fase da doença. “Envolve mudança alimentar e atividade física específica para o problema”. Mas a especialista é taxativa: “Trata-se de uma doença crônica que pode evoluir. O bom é que é possível de ser controlada. A paciente precisa colaborar, porque basicamente o tratamento vai depender de mudanças no estilo de vida. A dieta é um dos aspectos mais importantes, porque é uma doença de fundo inflamatório, embora o cardápio deva ser avaliado individualmente. É necessário descobrir qual o grupo de alimentos com potencial inflamatório em cada caso e se adaptar a uma alimentação orientada”. O tratamento ainda envolve a área vascular, já que mais de 50% dessas pacientes têm problemas desta natureza. A fisioterapia é capaz de diminuir o acúmulo de líquido e melhorar a estética, porque essas pacientes têm muita celulite e flacidez, além do inchaço. Atividade física também é primordial. Os exercícios de baixo impacto feitos na água são os mais recomendados. “Eles permitem que as pernas, que são pesadas, consigam se movimentar mais facilmente e a própria água faz um tipo de drenagem, favorecendo o retorno linfático e venoso”. Não existem medicamentos específicos para lipedema. “O que usamos são geralmente manipulados, capazes de melhorar o sistema de drenagem, além de alguns anti-inflamatórios, tipo ômega 3 e cúrcuma. O sono também é fundamental, porque o paciente que não dorme bem é mais inflamado”, avisa a vascular. Por fim, a doença em estágio quatro, mais grave e felizmente menos comum, pode ser incapacitante. “O chamado lipolinfedema, que é um grau bem mais sério do ponto de vista estético e funcional, pode limitar porque as pernas de grande volume ficam endurecidas e impedem a pessoa de andar. E o inchaço é tanto que fica quase impossível de ser drenado satisfatoriamente”. Meias elásticas sob medida ajudam, assim como bermudas e calças com compressões. “Existem lojas próprias para pacientes com lipedema”. A fisioterapeuta Danielle Andrade conta que a doença costuma aparecer em alterações ou picos hormonais de mulheres grávidas, menopausadas ou mesmo na adolescência. “É importante começar o tratamento de forma precoce, logo que os sinais aparecem”. Outro sinal comum é o surgimento de hematomas, que facilmente aparecem pela fragilidade capilar. “Alimentos inflamatórios, como açúcar, leite, embutidos, refrigerantes, álcool e alguns adoçantes, devem ser evitados”. Como último recurso, a médica cita a lipoaspiração para melhorar a função e o contorno das pernas. “Mas essa cirurgia só é indicada se os sintomas persistirem após todo o protocolo desinflamatório, que envolve muita força de vontade e disciplina”.