[[legacy_image_272426]] Ser atriz definitivamente não estava entre as metas de Leticia Salles até pouco tempo atrás. A oportunidade surgiu e, como queria deixar a carreira de modelo, resolveu voltar para o Brasil – após três anos morando em Londres, na Inglaterra – e se preparou para valer para o novo desafio profissional. Entre os testes que fez, passou no para o badalado remake de Pantanal, novela da TV Tribuna/Globo em que explodiu interpretando, na primeira fase, a mocinha Filó (papel que depois ficou por conta de Dira Paes). E Leticia logo emendou a trama das sete, Vai na Fé, em que vive a maldosa Érika e dá continuidade ao bom momento profissional. Na entrevista, a simpática carioca de 28 anos conta ainda como a corrida foi fundamental para superar um período de crise – hoje, Leticia contabiliza a participação em três meias-maratonas. Você esperava que a novela Vai na Fé fosse fazer tanto sucesso?Eu achava que a repercussão da novela seria boa, mas não a esse ponto. A trama tem conversado demais com as pessoas, de todas as classes e dos mais diferentes perfis. Sem falar que o clima nos bastidores é ótimo, leve e descontraído. A gente se dá muito bem, e aprende e se diverte horrores. Essa conexão que existe entre nós transparece na tela. As pessoas, quando te abordam na rua e nas redes sociais, comentam da Érika, de Vai na Fé, ou da Filó, de Pantanal?A Filó ainda está muito forte e predominante. Inclusive, tem gente que demora para perceber que sou eu tanto fazendo a Filó quanto a Érika, porque se tratam de personagens completamente distintas. Há até quem diz que gostava mais de mim como mocinha, pois, agora, estou muito má (risos). Encaro isso como um elogio, como sinal de que estou fazendo o meu trabalho direito. Emprestei para a Érika o meu jeito mais espontâneo, extrovertido. Mas eu mesma, às vezes, penso: “Como alguém pode ser tão sem ética, tão sem moral? Que louca!” A Érika posta as coisas sem conferir se são verdadeiras, ela só quer saber de chamar a atenção. Existe um monte de gente assim, no dia a dia. Antes de trabalhar como atriz, você foi modelo. O que pesou para essa mudança?Eu sempre gostei de filmes e séries. Ficava pensando como os atores conseguiam chegar em um nível de emoção que passa tanta verdade, mas eu guardava essa curiosidade para mim. Não tinha a intenção de atuar. Trabalhei seis anos como modelo, e em três deles morei em Londres (Inglaterra). O meu atual empresário viu um vídeo meu no Instagram quando eu estava lá fora e entrou em contato comigo. Ele disse que tinha gostado da minha desenvoltura e perguntou se queria estudar para ser atriz. Como eu estava em um momento em que ansiava por uma mudança, por coisas diferentes, topei. Voltei para o Brasil e aí veio a pandemia. Fiquei desesperada, pois tinha deixado tudo para trás. Foquei nos estudos para que, quando a oportunidade surgisse, já tivesse uma base boa. Participei de alguns testes e passei no de Pantanal. Por qual motivo você quis se afastar do mercado da moda?Resumidamente: a carreira de modelo é muito cruel, ela exige demais e, às vezes, pede coisas que você não pode dar, por se cobrar uma perfeição que não existe. Eu estava começando a ficar mal comigo mesma. Aquilo tudo estava mexendo bastante com o meu psicológico, com a minha cabeça. Me abalava como as pessoas queriam ter controle sobre como eu me sentia. Tive várias crises de ansiedade. O que me ajudou a ficar mais tranquila e me conectar comigo mesma foi a corrida. A princípio, corria para emagrecer, já que modelo precisa estar um palito. Só que, com o tempo, percebi que gostava de verdade de correr e que aquilo me fazia bem demais. Aliás, tive muitos insights e tomei diversas decisões enquanto corria. Você está levando o esporte a sério mesmo, tanto que já disputou mais de uma meia-maratona. Acabei de fazer a minha terceira meia-maratona, em Mendoza, na Argentina. Passei a pesquisar sobre corrida, sobre tênis específicos... Gosto de me desafiar, sabe? Eu não disputo uma prova para competir com ninguém, a não ser comigo mesma. Quero sempre baixar o meu tempo, me divertir e dar o meu melhor, bater recordes pessoais. O esporte me traz motivação, disciplina. Por isso que gosto tanto dele. E você, por acaso, chegou a concluir a faculdade de Biomedicina?Não. Prestei vestibular para esse curso porque a minha matéria preferida na escola era Biologia. Fiz cinco períodos de Biomedicina e, em paralelo, trabalhei como recepcionista de um salão de beleza do Rio de Janeiro. Quando me dei conta de que não estava feliz com a faculdade, recebi a proposta para ser modelo. E como aquilo começou a dar certo, tranquei a matrícula. Hoje, a minha meta é estudar bastante, me aprofundar como atriz. Quero ser melhor a cada dia.