[[legacy_image_256151]] Recentemente, foi muito divulgada na mídia a história de um homem que teve um dos olhos devorado por parasita, após dormir com lentes de contato. O uso desses acessórios visuais pode ter impacto bem positivo na qualidade de vida, mas requer bastante cuidado e responsabilidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Muitos não sabem, inclusive, que o simples fato de lavar as lentes com água corrente é um dos maiores perigos à saúde. A ceratite amebiana, infecção da córnea causada pela Acanthamoeba – parasita presente no solo e na água –, é um risco para os olhos, podendo até provocar danos irreversíveis à visão. Os sintomas iniciais incluem vermelhidão, aumento na produção de lágrimas, sensação de corpo estranho e dor. No entanto, para quem usa lentes, os cuidados vão muito além da correta higienização. Em primeiro lugar, a médica oftalmologista Isabella Carnio Paulino Habib ressalta que não são todas as pessoas que podem fazer uso desse acessório. “Existem várias contrain-dicações, entre elas o olho seco severo. É importante analisar o filme lacrimal antes da adaptação das lentes de contato. O oftalmologista também precisa avaliar o risco de doenças alérgicas, alterações conjuntivais (como processos alérgicos e pterígio, conhecido popularmente como carne no olho), fatores ambientais ou profissionais, alterações palpebrais e corneanas, distúrbios sistê-micos como doenças respiratórias crônicas, que geram crises de vermelhidão conjuntival, lacrimejamento, fotofobia e desconforto, além da impossibilidade de seguir orientações de limpeza, conservação e desinfecção”, explica. A oftalmologista acrescenta que a lente de contato é utilizada sobre a córnea, parte transparente anterior do olho, região que não possui vasos em sua superfície. “Sendo assim, a sua nutrição ocorre por via indireta, ou seja, ela capta oxigênio e nutrientes dos vasos distantes, do ar e do filme lacrimal, os quais são distribuídos dentro dos olhos quando piscamos. Portanto, quando colocamos uma lente sobre a córnea, a ação do filme lacrimal fica alterada, porque a lente é um objeto estranho que impede o contato com o oxigênio. É essencial que a lágrima consiga passar entre a córnea e a lente. Por isso, a avaliação do médico acaba sendo fundamental”. Comprar lentes de contato por conta própria também é arriscado. Isabella Paulino ressalta que as indicações para o uso desse acessório estão relacionadas principalmente a fins estéticos, ou seja, pessoas com altas ametropias (problemas que comprometem a visão) e que não se sentem confortáveis com a utilização de óculos – ou quem possui defeitos na face que dificultam o uso dos óculos. E mais: para fins cosméticos (modificar a cor dos olhos), soluções protéticas (em casos de cicatrizes corneanas, defeitos do segmento anterior do olho e alterações irianas), praticidade (já que em determinadas profissões os óculos podem restringir a liberdade e prejudicar a segurança, como nos casos de operadores de máquinas, policiais e atletas) e para fins terapêuticos (como “curativos”corneanos quando há traumas, úlceras ou até mesmo após cirurgias nos olhos). Fora isso, diversas doenças corneanas só podem ser curadas ou controladas com o uso de lentes de contato, que proporcionam melhor visão para a pessoa. Um exemplo clássico é a presença de ceratocone, problema que leva à deformidade da córnea. Sendo assim, para ser um usuário de lentes de contato, é necessário ter a orientação do oftalmologista, que vai avaliar as condições do filme lacrimal e a adaptação do acessório. Também são indispensáveis os cuidados básicos, que envolvem a higienização com soluções específicas e armazenamento das lentes. A Acanthamoeba é causadora de uma das infecções mais graves em quem utiliza lentes de contato. Esse protozoário que desencadeia a doença está disseminado no ambiente, especialmente na água, seja ela doce ou salgada. Desse modo, lavar as lentes na água da torneira se torna um grande risco à saúde. “Contaminações desse tipo podem gerar danos severos à visão e, inclusive, levar à cegueira”. As mãos precisam ser sempre muito bem higienizadas antes de manusear as lentes, que devem ser armazenadas em estojo – que também deve ser devidamente limpo todas as vezes que elas forem retiradas. “Aprender a colocar as lentes nos olhos corretamente é uma forma de evitar infecções”, diz Isabella Paulino, reforçando que é obrigatório retirá-las antes de dormir. “O uso crônico diminui a oxigenação da córnea e pode provocar úlceras ou outras alterações graves. Se durante o dia, com os olhos abertos, elas já diminuem a oxigenação da córnea, imagina à noite com as pálpebras fechadas”. Emprestar as lentes também é contraindicado. Elas devem ser de uso pessoal e intransferível. Para prevenir infecções, as pessoas têm de mantê-las em solução estéril e nunca tomar banho com elas. Por último, é importante não ultrapassar o tempo de uso recomendado, fazer o descarte correto, prestar atenção no prazo de validade e não esquecer as consultas periódicas com um oftalmologista de confiança, para acompanhamento de grau e realização de exames de rotina.