[[legacy_image_281619]] O Julho Verde foi criado para alertar sobre a importância da conscientização a respeito do câncer do colo do útero, doença que ocorre em quase 99% dos casos por causa do papilomavírus humano (HPV). A infecção, sexualmente transmissível, é a mais comum em todo o mundo e atinge de uma maneira massiva as mulheres. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2023, 17.010 mulheres serão diagnosticadas com câncer do colo do útero no Brasil. A doença é o terceiro tipo de tumor que mais afeta o público feminino. Por isso, é importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes para o início do tratamento. Quando descoberta precocemente, pode haver redução de até 80% na mortalidade. A vacina é oferecida nas unidades básicas de saúde (UBSs) de todo o Brasil, para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Depois do contágio, ao menos 5% delas irão desenvolver o câncer de colo do útero em um prazo de dois a dez anos. “Geralmente, a infecção genital por HPV é bastante frequente e, na maioria dos casos, assintomática e autolimitada, ou seja, até os 30 anos de idade grande parte das mulheres tem a infecção resolvida. Mas, quando ocorre a persistência do vírus nas células do colo do útero, elas podem avançar para o desenvolvimento de câncer”, explica a oncologista Marcela Bonalumi. Conforme a especialista, a imunização também é capaz de prevenir câncer de vulva, ânus e vagina nas mulheres e de pênis nos homens. “Por isso, o ideal é que esse cuidado ocorra antes do início da vida sexual, evitando assim que haja a exposição a esse vírus”. Além da vacinação, considerada uma prevenção primária, é essencial realizar os exames de rotina ginecológica, como o papanicolau (anualmente e depois a cada três anos), dos 25 aos 64 anos de idade. “Ele é muito importante para identificar lesões pré-cancerosas e agir rapidamente contra o câncer”, alerta a médica. Vale lembrar ainda que os exames devem ser feitos mesmo se a mulher tiver sido vacinada contra o HPV, pois o imunizante não protege contra todos os tipos oncogênicos da doença. Em estágios iniciais, a enfermidade geralmente não provoca sintomas, mas pode haver dor na relação sexual ou sangramento vaginal. Em quadros mais avançados, a paciente pode ter anemia – devido à perda de sangue –, dores nas pernas e costas, problemas urinários ou intestinais e perda de peso não justificada. “Em geral, os sangramentos acontecem durante a relação sexual, inclusive em mulheres que já estão na menopausa ou fora do período menstrual”, observa a oncologista. Marcela Bonalumi diz que o tratamento para o câncer de colo do útero pode ser cirúrgico ou com sessões de radioterapia e quimioterapia. “Na cirurgia, ocorre a retirada do tumor ou mesmo de todo o útero, quando necessário”, conclui.