[[legacy_image_294151]] O cubo mágico – também conhecido como Cubo de Rubik – é algo atemporal. Ele foi criado em 1974 por Erno Rubik, mas o professor de Arquitetura húngaro não tinha certeza de que seria possível resolvê-lo. O cubo figura como um dos quebra-cabeças mais envolventes da história. Há mais de 43 quintilhões de possibilidades de embaralhamentos. O primeiro campeonato de cubo mágico aconteceu em Budapeste, na Hungria, em 1982, e de lá para cá o cubo conquistou inúmeros seguidores mundo afora. Renan da Cunha Santos, de 30 anos, é de Cubatão e resolve cubos mágicos desde 2017. Atualmente, atua como delegado da World Cube Association (WCA) – associação mundial da modalidade – e também como organizador de competições na Baixada Santista. Ele explica que os torneios só são oficializados mediante a presença de um delegado da WCA e a publicação no site oficial da entidade: www.worldcubeassociation.org. O delegado já conheceu cubistas de todos os países da América do Sul, do México, dos Estados Unidos, da Suécia, do Reino Unido, de Trinidad e Tobago, China e Espanha. “Duas histórias me impressionaram. Uma foi a de um jovem com paralisia cerebral que participou de uma competição e conseguiu resolver o cubo. Outra de um rapaz de Santa Catarina que não tem os braços e já ganhou medalha em um campeonato brasileiro quando ainda existia a modalidade de resolver o cubo mágico com os pés. Eu conto sempre essa história como exemplo, para mostrar que não existe restrição, absolutamente nenhuma, para você aprender a resolver o cubo”, ressalta. A próxima competição que Renan está organizando na região será na Etec de Cubatão, nos dias 23 e 24 deste mês. Todas as vagas para a disputa já foram preenchidas. No entanto, se alguém quiser entrar na lista de espera, basta seguir as instruções disponíveis no site da WCA. O domingo+ entrevistou Caio Hideaki Sato e Vicenzo Guerino Cecchini, recordistas da modalidade que estarão na competição de Cubatão, e a cubista santista Maria Clara Rodrigues Garola Lima, que fez uma participação no programa Domingão com Huck. Leia os relatos dos três a seguir. [[legacy_image_294152]] Maria Clara superou o desafioA santista Maria Clara Rodrigues Garola Lima, de 15 anos, é cubista do Moto Clube Mágico desde 2020. Ela conta que sempre gostou muito de esportes e que, com a pandemia, ficou impossibilitada de praticar muitos deles por um período, em decorrência do distanciamento social implementado na fase mais crítica da covid-19. “Gosto de praticar esportes e experimentar novas modalidades. Para mim, a pandemia foi muito difícil, porque não conseguia fazer nenhum. Até que descobri o cubo mágico. Vi um vídeo na internet de uma menina montando um cubo. Era a Suzane Coelho (que tem canal no YouTube)”, conta. Com a descoberta do Cubo de Rubik, Maria Clara começou a investir tempo na prática. “Me desafiei a resolver o cubo. Eu sou uma pessoa que, quando começa a fazer uma coisa, não termina até conseguir. Peguei um cubo mágico, embaralhei e não parei até fazer certo”, lembra a santista. Segundo ela, a mãe, Rita Garola, a ajudava embaralhando os cubos. “Foi um momento muito especial. A minha mãe chegou a comprar cubos mágicos diferentes para me dar o desafio de resolver, e eu sempre conseguia”. Maria Clara já participou de 16 campeonatos e dois estão por vir: o Brasileiro, em Salvador (BA), e o Criciúma Open (SC). Rita comenta que a filha e o irmão gêmeo, Pedro Lucca, sempre praticaram esportes, mas o isolamento social na pandemia mexeu emocionalmente com os dois. “Eu sempre os coloquei para praticar esportes desde os 4 anos de idade. Fizeram natação, patinação, judô, ginástica olímpica, capoeira... Já praticaram de tudo”, diz a mãe. Para participar dos campeonatos de cubo mágico, Maria Clara faz rifas e vende doces nas horas vagas. Rita se orgulha do esforço e da determinação da filha. “Eu sou fotógrafa autônoma e mãe solo. Então, fica complicado para bancar as viagens (campeonatos). Tenho dois filhos maravilhosos, duas bênçãos”, emociona-se Rita. No último mês, Maria Clara participou do programa Domingão com Huck, da TV Globo. Ela foi uma das atrações do quadro Pequenos Gênios, que recebe crianças com habilidades excepcionais. Em sua participação, a garota explicou o processo básico para aprender a resolver o cubo mágico. [[legacy_image_294153]] Vicenzo é o 9º melhor do mundoDe Jundiaí (SP), Vicenzo Guerino Cecchini, de 17 anos, é atualmente o nono melhor do mundo na categoria Square (nome de um dos tipos de cubo e o favorito de Vicenzo). Ele começou a resolver cubos aos 9 anos, após ver uma amiga na escola. “Ela montava em um minuto, um minuto e meio. Eu achava incrível e não entendia como aquilo era possível. Fui atrás (de como fazer)”. Vicenzo treina de duas a três horas por dia, buscando aprender novas técnicas por meio de um método eficiente, pois, no momento, precisa se dedicar aos estudos, para prestar vestibular. “Estou no terceiro ano do Ensino Médio, portanto tenho que estudar para o vestibular. Acabo priorizando um treino mais eficiente do que algo que leve bastante tempo. Implementar novas técnicas, às vezes, é mais importante do que ficar resolvendo cubos por horas. Tento cada vez mais otimizar a forma como eu pratico”, explica. Ele já participou de 79 competições. Na categoria principal 3 x 3 x 3, ficou em primeiro lugar em 21 torneios. Entre eles, os campeonatos brasileiros de 2019 e 2022 – sendo o atual campeão nacional –, e o Campeonato Sul-Americano de 2018. Vicenzo possui 166 medalhas de ouro, 105 de prata e 67 de bronze. “Outra forma de analisar são os recordes, que para nós (cubistas) também se mostram muito importantes. Nestes oito anos, quebrei um total de 35 recordes, sendo 23 nacionais, nove sul-americanos e três mundiais”, observa. Vicenzo vai disputar a categoria Square no campeonato de Cubatão e tem se empenhado cada vez mais na modalidade para bater recordes. “Serão duas rodadas em Cubatão, o que é bastante raro de acontecer. Poucos torneios têm Square, ainda mais com duas rodadas. Estou buscando melhorar cada vez mais nela, ficar cada vez mais consistente. Gostaria de entrar no top cinco, quem sabe no top três da categoria (em termos globais). Esse é o meu principal objetivo”, conclui Vicenzo Guerino Cecchini. [[legacy_image_294154]] Caio destaca raciocínio lógicoCaio Hideaki Sato, de 14 anos, de São Paulo, é o atual campeão sul-americano de cubo mágico na modalidade 3 x 3 x 3 e o 19º colocado no ranking mundial do esporte. Nesse meio desde 2015, diz ser uma prática importante para o raciocínio lógico. “Eu acho que é um esporte que ajuda principalmente na lógica e na concentração. Algo que percebi durante todo esse tempo e que tenho treinado”, afirma. Caio já participou de 72 campeonatos oficiais de cubo mágico. “Eu tenho atualmente 274 medalhas. Sendo 105 de ouro, 110 de prata e 59 de bronze”. Ele também vai marcar presença na competição de Cubatão, no fim deste mês. “Espero que seja um campeonato bom. Estou com uma grande expectativa, pois vai reunir os melhores do Brasil”. Pai de Caio, Paulo Sato comenta que o interesse do filho pelo esporte surgiu aos 6 anos de idade. “Como pai, é muito gratificante poder acompanhá-lo nos campeonatos em vários estados. O cubo mágico já é considerado esporte da mente. O sentimento de ver o Caio conseguir êxito é maravilhoso. Tudo com muito treino e esforço”.