Gabriel Cardim desenvolveu a Midracardim, que prioriza o meio ambiente (Juliana Lanzilotti/Divulgação) O santista Gabriel Cardim sempre se interessou em saber de onde vinham suas roupas. E a maioria delas era da confecção do seu tio. “Eu ficava perguntando para minha mãe: quem costurou, quem criou?”, conta o jovem de 27 anos. No TCC de designer na Faculdade São Judas, criou sua coleção com a ajuda do tio. Antes, já tinha feito curso de costureiro sob medida no Senai. “Mas o que gosto mesmo é da modelagem, da criação, da composição. Escolho minhas roupas desde os 2 anos. Não saía de casa se não fosse com a roupa que escolhia”, conta com certo divertimento. Mas a veia criativa de Gabriel vem de mãos dadas com uma reflexão fundamental: quanto tempo dura o ciclo de vida de uma roupa? E foi a partir disso que ele desenvolveu sua própria marca de roupas, a Midracardim, que tem como propósito a moda sustentável, recriando novas peças a partir daquilo que já foi utilizado, minimizando assim os impactos negativos do setor no meio ambiente. Em sua primeira coleção, lançada em julho e intitulada Born to be Alive, em tradução livre “Nascido para estar vivo”, ele escolheu o jeans como tecido chave de seu lançamento. E não foi à toa. “O jeans é um material que passa por muitos processos, muita água, tingimento, além de muitos profissionais envolvidos, que nem sempre têm uma mão de obra justa. Decidi trabalhar com jeans por conta da grande quantidade de energia utilizada nele. Nessa coleção, grande parte das peças é feita com jeans reaproveitado ou o jeans ecológico, onde vários retalhos se transformam em um tecido totalmente novo”, explica o designer. Costureiras Gabriel escolheu a dedo os profissionais que estariam ao seu lado na produção dessas peças. “Trabalhei com três costureiras, buscando valorizar esta mão de obra tão importante para o mundo da moda. Quero que as pessoas saibam quem fez as roupas, de onde veio o material”. Sobre o processo criativo, o designer explica que tudo começa a partir de um desenho. “Tenho fixação por triângulos, pois não são contínuos como os círculos, nem tão certinhos como os quadrados. Os triângulos têm ângulos e são formas fortes. Para mim, são um grande símbolo de criatividade”, explica o designer, completando. “Começo com a base sempre triangular e vou adaptando os desenhos de acordo com o tema. Tenho um processo, primeiro, de criar uma base para as roupas, depois escolho o tema, e vou adaptando aos looks”. A marca pode ser encontrada no site midracardim.com. Coleção Midracardim (Juliana Lanzilotti/Divulgação) A coleção Born to be Alive tem como personagem principal o bebê, que figuramente o representa e tem grande significado. “Trouxe o bebê como principal personagem pois significa algo pequeno, frágil, mas que vai crescendo e ficando cada dia mais forte, como imagino a minha marca. Hoje, sou pequeno, uma marca regional, mas tenho certeza que irei longe e crescerei, como uma criança”. A primeira coleção que lança Midracardim ao mundo da moda sustentável é cheia de significados e personalidade. Entre peças exclusivas e limitadas, reúne opções versáteis e atemporais, que foram criadas a partir de muita pe=squisa, estudo e garimpo em dezenas de brechós, de onde boa parte dos tecidos vieram, servindo de base para recriar novos looks. “Minha marca representa muito do que eu sou”.