[[legacy_image_237399]] O kitesurfe é um esporte que cresce bastante no Brasil e, como parte desse processo, ganha representantes de peso, inclusive na Baixada Santista. Natural de Itanhaém, Gabriel Benetton entrou para a liga profissional da modalidade no ano passado “fazendo barulho” – como ele mesmo diz –, com uma performance de alta qualidade, o que lhe assegurou os títulos de campeão mundial júnior e de Rookie of the Year 2022, prêmio concedido pelo GKA Awards para o kitesurfista iniciante que mais se destacou na temporada. “Quero crescer cada vez mais no esporte, me tornar uma referência. Faz parte dos meus planos abrir, daqui a alguns anos, uma escola, um centro de treinamento com o meu nome, para inspirar pessoas a praticar o kite”, afirma o disciplinado e focado atleta de 18 anos. Na entrevista a seguir, Gabriel compartilha não só a sua história como curiosidades do universo do kitesurfe. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Você estreou na liga profissional de kitesurfe em 2022 e já se tornou campeão mundial júnior. Por quanto tempo se preparou para competir? Cheguei como principiante, praticamente ninguém me conhecia. Muita gente se surpreendeu e ficou perguntando de onde eu tinha surgido. Estava com boa expectativa, pois havia treinado bastante. Fiquei dois, quase três anos só me preparando para estrear no profissional. Demorei para pensar em competir, porque queria ficar bem legal, para fazer barulho. O que mais impressionou o pessoal foi o fato de eu morar em Itanhaém, já que é um lugar onde naturalmente não venta o suficiente para você treinar ou aprender kite. Por exemplo: às vezes, há três dias de vento, depois fica um mês sem ventar. O Nordeste do Brasil é um dos melhores locais para praticar esse esporte no mundo inteiro, especialmente o Ceará. Vou para lá para poder treinar. Mas o meu começo no kite – aprender o básico e a maioria das manobras – se deu em Itanhaém. Quais são os seus planos para 2023? No momento, estou de férias, curtindo a minha família – algo que gosto demais – enquanto as competições não voltam. Para 2023, a meta é me empenhar no circuito mundial, participando de todas as etapas, de olho no primeiro lugar geral. A fase inicial acontece em março, em Cabo Verde, na África. Em fevereiro, vou retomar os treinos, só que na Europa, mais especificamente em Portugal e na Espanha, já que a temporada de ventos no Brasil vai de julho a dezembro. Tem algum esportista na família? O meu pai surfa desde criança. Meu irmão também. E os dois praticam kite comigo. Nós ainda fazemos pesca submarina, ou seja, somos bem esportistas. Mas eu sou o único atleta profissional na família. Tudo começou quando eu tinha 3, 4 anos e o meu pai me apresentou o surfe. Aí, com 6, um amigo me ensinou wakeboard. Depois de um ano, passei a marcar presença em competições de wake e fui me saindo bem. Tanto que, aos 10 anos, ingressei na categoria profissional no meio de adultos (Gabriel foi tricampeão brasileiro, campeão mundial júnior e campeão pan-americano júnior). Apesar da pouca idade, eu enfrentava a galera de 20 e poucos. Tenho várias fotos de pódio, ao lado de atletas bem maiores do que eu. Essas imagens chegam a ser engraçadas (risos). Por que trocou o wakeboard pelo kitesurfe? Passei a ficar desmotivado, a ponto de me questionar se era isso o que queria para a minha vida. Algo que pesou muito foi não conseguir fazer coisas normais da idade. Às vezes, tinha de faltar na escola para viajar, para competir etc. Bem nesse momento, quando eu estava dando uma parada no wakeboard, vi o mesmo amigo que me ensinou o esporte praticando kitesurfe e pedi para que me mostrasse como funcionava. Assim, a minha motivação voltou e resolvi focar no kite. Hoje, olho para trás e a minha conclusão é de que valeu a pena. É difícil viver do kitesurfe aqui no País? O esporte está crescendo bastante no Brasil, mas o que complica um pouco sua massificação são os preços dos equipamentos. É preciso investir dinheiro razoável para aprender e praticar kite. No que se refere ao cenário profissional, os gringos não olham mais estranho para os brasileiros, até porque vários deles vêm treinar no Ceará. Entre as potências globais estão Holanda, Austrália, Alemanha e, de um tempo para cá, o Brasil. Vem aumentando o número de atletas nossos no ranking mundial. Já passou apuros dentro d’água? Sim. No ano passado, desmaiei treinando duas vezes: uma no Ceará e outra na Espanha. Em ambas situações, durante manobra, caí de altura de cerca de 20 metros, uma velocidade monstra, e apaguei com a pancada. No Ceará, houve mais um agravante: estava sem colete de segurança. Foi feio! Engoli muita água; se tivesse ficado mais um, dois minutos no mar, já era... O kite é um esporte perigoso quando praticado para alta performance. Nele, se atinge 70 km/h facilmente. O que ajuda hoje em dia é que os equipamentos estão evoluídos e, no caso de o vento ficar forte demais, existem sistemas de segurança para o kite perder força.