(Ítalo Gaspar/Divulgação) Ator, diretor, roteirista e produtor. João Côrtes é múltiplo. Um artista completo que tem feito muita coisa no teatro, cinema e na tevê, e está vivendo uma virada de chave na carreira, com papéis dramáticos e densos, Esteve em cartaz com o monólogo Invisível em São Paulo, sucesso de crítica. Já na TV, o público pode conhecer ainda mais o lado musical do ator na nova temporada da série Encantado’s, do Globoplay. Além disso, em 11 anos de carreira, já esteve em mais de dez longas-metragens, novelas, curtas, séries e diversos espetáculos teatrais. Na moda, se destaca por apostar em um estilo agênero e se posicionar. Você é um artista múltiplo: canta, compõe, toca instrumentos, atua, escreve e dirige. Com isso, consegue ser mais seletivo em suas escolhas de trabalho? O que tem te atraído no momento? Eu amo essa possibilidade que a arte nos traz de sermos múltiplos, acho que isso abre muitos caminhos. Dessa forma, tenho procurado realizar trabalhos que me encantam. Quero continuar a contar histórias que comuniquem algo para mim e para o mundo. Quero estar em projetos audaciosos, que me desafiem e tenham o poder de transformar as pessoas. Quero trabalhar com artistas que admiro em papéis que me atravessem. No ano passado, você fez o monólogo Invisível, que tinha como tema as complexidades de um relacionamento abusivo entre dois homens. Você, que se assumiu gay, acha importante levantar assuntos, como até diz o nome da peça, muitas vezes invisíveis para a sociedade? Acho muito importante colocar questões sociais no palco, sobretudo questões que provocam reflexões, que sejam tabus na sociedade. Quando li o roteiro do meu amigo Moisés Bittencourt, fiquei com muita vontade de interpretá-lo. Nunca tinha feito um monólogo e esse texto me tocou. Falar sobre relação abusiva do ponto de vista de um casal homoafetivo ajuda a trazer visibilidade para essas pessoas e, acima de tudo, consciência de que isso é uma realidade. Outro talento seu é atuar com fluência em inglês. Você fez Passaporte para Liberdade. Pretende fazer mais trabalhos assim? Gosta de atuar em inglês? Sim! Eu adoro atuar em inglês e quero poder fazer cada vez mais projetos que envolvam essa mistura de línguas e culturas. Foi incrível e muito gratificante interpretar o personagem Wilfred Schwartz na minissérie Passaporte para Liberdade. Precisei falar inglês com sotaque alemão, a preparação foi intensa! Na série Rio Connection, do Globoplay, também interpretei um personagem em inglês, o Alberto Martim, um diplomata ligado ao tráfico que adorava festas. Além disso, em 2023, estudei atuação no Lee Strasberg Theatre & Film Institute, em Los Angeles, em busca desse sonho de expandir a minha carreira. Hoje em dia, graças aos streamings, temos mais projetos com coproduções internacionais, isso aumenta as oportunidades. A moda também pode ser um instrumento político, mandar uma mensagem. Você que tem um estilo próprio, é um fashionista, enxerga assim? Claro! A moda é um movimento artístico muito importante. Vestir-se é uma forma de arte. Ela surgiu na minha vida como uma ferramenta para me libertar de muitas coisas, uma ferramenta de autoconhecimento, de me relacionar melhor comigo mesmo, de me empoderar mais como homem e como artista. Aos poucos, fui me identificando com o estilo agênero que mistura peças femininas e masculinas, como ternos e vestidos. Isso me transformou! A moda é plural e tem esse poder. Hoje me inspiro em diversos artistas, estilistas, designers e me sinto feliz em me expressar através dela, escolhendo os looks que me fazem bem e valorizam minha personalidade. Quais são os planos para este ano, o que está fazendo, onde podemos te ver? No segundo semestre vou começar a gravar a terceira temporada da série Encantado’s, que é um projeto maravilhoso do Globoplay. Estou muito ansioso para conhecer os novos caminhos do meu personagem Celso Tadeu. Além disso, estamos vendo de iniciar uma nova temporada da peça Invisível, no Rio de Janeiro. Tem muita coisa legal vindo por aí!