[[legacy_image_213597]] Jessi Alves viu a sua vida mudar radicalmente ao sair da casa do Big Brother Brasil em abril. “Foi um boom de emoções e sensações. Antes do programa, eu vivia no total anonimato. Hoje, onde chego, as pessoas me associam ao BBB”, comenta a professora de Biologia de 26 anos, natural do município de Valparaíso de Goiás (GO). Como ela mesma diz, está se permitindo experimentar todas as possibilidades proporcionadas pela participação no reality, sendo que algumas coisas jamais imaginou que um dia iria fazer, como desfilar na São Paulo Fashion Week. Mas Jessi, que se mudou para São Paulo, também está aproveitando a fama e os 1,8 milhão de seguidores para falar de questões ambientais. “Lancei um projeto audiovisual no meu perfil do Instagram chamado Jessiologia. Inclusive, gravei um dos novos episódios em Guarujá, para tratar da areia do mar”, observa a ex-BBB, que ainda procura se envolver com projetos sociais ligados à educação e à cultura. Na entrevista a seguir, ela comenta a visita que fez à Amazônia, a convite do Greenpeace, entre o fim de agosto e o início de setembro, e reforça a necessidade de agirmos para garantir o futuro da floresta. Como foi a visita à Amazônia? Como a maioria das pessoas que estuda e se dedica à Biologia, eu sempre tive muita vontade de conhecer a Amazônia e o Pantanal, mas nunca tive condições, pois é bem caro. Acho que por ter falado bastante no BBB de Biologia e por me posicionar como professora, após sair do programa, recebi o convite do Greenpeace para ir a uma área da Amazônia. Fiquei superempolgada e feliz com a oportunidade! A viagem foi de 29 de agosto a 3 de setembro. No primeiro dia, tive uma reunião com o pessoal do Greenpeace, em que eles me mostraram dados, estatísticas e imagens de satélite da floresta. Depois, fui a uma área que estava queimando há aproximadamente duas semanas e ainda tive a chance de fazer dois voos - um de manhã e outro à noite - pelo trecho amazônico que pega o sul do Amazonas, o leste do Acre e o noroeste de Rondônia. O sobrevoo mais impactante foi o noturno, porque os focos de queimada ficam bem mais destacados. O que sentiu ao ver tudo isso de perto? Eu me deparei com zonas de conflitos de interesse. Na Amazônia, há muitas áreas demarcadas, que são indígenas; outras regiões são de proteção integral ou de uso sustentável; e existem ainda os trechos não demarcados – são eles que estão em jogo, pois, ao mesmo tempo em que tem a galera que quer transformar esses locais em unidades de conservação, há as pessoas que desejam ocupar essas áreas e tirar vantagem delas. A gente precisa entender que o foco de queimada faz parte de um processo. Primeiro, alguém ocupa a terra, depois a desmata e retira a madeira. Aí, conforme a matéria orgânica da região começa a secar, fica mais fácil para colocar fogo e limpar o lugar. Na sequência, muitos desses trechos da floresta são transformados em pastos para pecuária e, em alguns desses locais, com o tempo, o gado dá espaço para plantios de agricultura. Mas, na realidade, esses lugares deveriam estar sendo preservados e convertidos em unidades de conservação ambiental. A Amazônia está do jeito como você imaginava? Não visitei a floresta que eu queria. Quando a gente pensa em Amazônia, geralmente vem à nossa mente a selva, a mata fechada densa e úmida, com vários animais. Por mais que eu soubesse que estava indo para uma região de desmatamento, me surpreendi com o que vi, foi algo que superou as minhas expectativas. Foi triste demais pisar numa área queimada. Esse tipo de local é totalmente sombrio, cinza. Dá um sentimento de luto... Eu olhava para aqueles troncos calibrosos no chão, queimados quase por completo, e imaginava o tamanho que aquelas árvores deveriam ter. Também há o seguinte: algumas árvores, como as castanheiras, geralmente são mais resistentes e, após a queimada, ficam sozinhas no meio do nada. Só que, em longo prazo, elas vão morrer, porque estão sem nutrientes no solo e sem a proteção vegetal. Fui a uma zona “mais estável” da Amazônia e deu para perceber a diferença. Quando você entra na vegetação fechada, o ar e o clima mudam, dá para escutar os animais e se tem a sensação de que ali existe vida. O que mais chamou a sua atenção? A floresta, nos pontos em que está preservada, é muito bonita por cima. Só que o que mais impressiona é que, de repente, surge uma área quilométrica desmatada. Uma dessas “crateras” tinha 23 quilômetros! Fiquei me perguntando como algo assim aconteceu no meio da floresta, já que, sobrevoando, não parecia haver uma estrada. Me explicaram que, nesses casos, normalmente as pessoas abrem pequenas estradas, que não podem ser avistadas de cima e levam o maquinário necessário para retirar as árvores que são rentáveis. Aí, depois, põem fogo no local. Em alguns desses pontos, não dá para enxergar nada, de tanta fumaça que há. Se a gente continuar nesse ritmo, em 2030, que é o prazo para acabar com o desmatamento, não vai ter sobrado mais nada para preservar ou recuperar. Vi imagens de satélite de uma região que, em três meses, deixou de ter cobertura vegetal. O processo todo, infelizmente, é rápido demais. E a fiscalização? Ela até existe, só que, mesmo sendo ilegal, a retirada de madeira persiste. Obviamente, o que acontece na Amazônia não é algo que envolve apenas uma pessoa, existe uma cadeia e vários interesses por trás. Para você ter ideia, quem mora na região geralmente não possui condições para arcar com os custos do desmatamento. Em média, são necessários cerca de R\$ 2 mil para você desmatar um hectare. O que pretende fazer daqui em diante? Desde que eu voltei da floresta, procuro usar as minhas redes sociais para falar sobre a situação da Amazônia e tentar conscientizar as pessoas de que precisamos de leis eficientes e de políticas públicas tanto para a proteção das áreas intactas quanto para a recuperação dos trechos desmatados. Tem mais: a Amazônia não é a única região, o único bioma do Brasil que está sendo desmatado. A gente precisa entender que a retirada de recursos da natureza deve ser feita de modo sustentável. Fiquei chocada com a quantidade de madeireiras que encontrei durante a minha visita à Amazônia.