[[legacy_image_181598]] O diretor Jayme Monjardim acaba de completar 66 anos e, em 2022, ainda comemora quatro décadas de carreira. Ele contabiliza 21 novelas, 11 séries e cinco filmes, e não quer saber de parar de criar tão cedo. “A minissérie sobre minha mãe, Maysa – Quando Fala o Coração, provavelmente foi o trabalho mais difícil de fazer. Me preparei um bom tempo para esse projeto”. O diretor, que chegou a estudar cinema na Itália, também vem se aventurando como empreendedor. Na entrevista, faz um balanço da sua carreira, dá detalhes dos novos projetos e afirma que não consegue ficar parado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Você costuma olhar para trás e analisar a sua trajetória?Nos meus 40 anos de carreira, nunca fui de ficar olhando para trás, prefiro focar no que tenho à minha frente para realizar. Mas o passado ensina o que não devemos fazer de novo e mostra o que podemos experimentar dali em diante. Procuro sempre estar atualizado, acompanhar o que está acontecendo. Tenho a filosofia de que, no presente, devo tentar eternizar o passado de uma maneira boa e bonita. E mantenho uma relação de respeito com os meus atores e os meus trabalhos, como se fossem filhos. Pelo jeito, é uma pessoa que não desliga.Não consigo ficar parado. Estou o tempo inteiro pensando em ideias e projetos. Minha casa é cheia de livros. Quando saio, tenho um olhar de observação, fico atento às coisas. Também sou de rever os meus trabalhos. Por exemplo, agora na reprise da novela O Clone, via os episódios e pensava: “Que legal que fiz assim”. Ou então: “Não posso mais fazer isso”. Depois de tantos trabalhos, qual é a sua prioridade daqui para frente?Estou produzindo o meu próximo longa-metragem, Maria Bonita. No momento, vivo 24 horas por dia esse filme, completamente apaixonado. Já contaram a história do Lampião e da Maria Bonita pela óptica dele, mas nunca exploraram a visão dela. É isso o que me propus a fazer no longa, que devo começar a rodar até novembro, porque não está fácil produzir cinema, com os cortes que o governo fez nas leis de incentivo. Também estou acompanhando a estreia ao redor do mundo da minha minissérie mais recente, Passaporte para Liberdade. Na Espanha, foi algo incrível. Esse trabalho está abrindo horizontes e se tornando um termômetro de como encaminhar projetos que não sejam em português. Afinal, com o Globoplay e os demais streamings, o mercado de contar histórias está impressionantemente aquecido. Tem planos para a TV?Apresentei para a Globo sete projetos. No momento, posso falar apenas da minha próxima novela, que se chama Romaria (ainda sem data de estreia). Ela vai girar em torno de uma família desfeita: sete irmãos estão espalhados pelo Brasil e vão se encontrar em uma romaria. Também estou sonhando em implantar na Globo as novelas interativas. Cheguei a um ponto em que posso escolher os meus trabalhos na emissora, e isso vale ouro. Quando penso sobre como um canal aberto pode se sustentar em meio a tantas plataformas de streaming, creio que a saída é investir em grandes produções como a novela Pantanal. É uma pessoa de fé?Nossa, demais! Tenho uma capela na minha fazenda em São Paulo e sou devoto total de Nossa Senhora. Toda vez que vou para a fazenda paro em Aparecida para assistir a uma missa. Completei 66 anos em 19 de maio e marquei uma missa para a data. Como tenho um trabalho intenso, em que lido com várias pessoas e muitos egos, e com bastante dinheiro, a fé me traz paz em meio a tantas responsabilidades e estresse. A fazenda é o seu refúgio?Sim, é o meu recanto, onde ando descalço, com o pé na terra, e boto as minhas falhas no lugar. Lá, há uma árvore de 350 anos. Costumo ficar embaixo dela para me reenergizar. Como gosto bastante de cozinhar, tenho uma horta de especiarias e me ponho a bolar pratos, fazer experiências culinárias. E como também sou apaixonado por cavalos, crio os da raça crioulo. Por eu não ser tanto de sair – sempre fui muito responsável e caretão –, os meus cantinhos acabam sendo bem preservados. Os meus filhos e netos vão com frequência para a minha fazenda. Como é o Jayme em família?Por causa da idade, tenho me preocupado bastante em deixar coisas encaminhadas para os meus filhos e os meus netos; inclusive, costumo lembrá-los que têm um nome a zelar. Fazem parte disso projetos aos quais tenho me dedicado em paralelo ao cinema e à TV. Por exemplo, estou desenvolvendo com o (psiquiatra e escritor) Augusto Cury a Universidade dos Sentimentos, para a discussão das emoções. E firmei uma sociedade para trazer de volta os produtos Matarazzo, com um olhar para a sustentabilidade. Entre eles: gado carbono zero, leite e creme de leite vegetais, carvão que não depende de derrubar árvores. Esses produtos estão sendo elaborados em fazendas no Maranhão, onde ainda descobrimos uma abelha que só existe lá e cujo mel possui grande valor gastronômico. Sem falar que estamos investindo no resgate do babaçu, superalimento que acabou esquecido. No Maranhão, também mantenho um projeto social. Quero ajudar as comunidades das redondezas. Estamos abrindo escolas, porque a maioria da população de lá é analfabeta.