[[legacy_image_336295]] Sua trajetória nas telinhas começou quando ela tinha apenas 12 anos, na Sessão Super Heróis. Aos 17, começou a estudar atuação e estreou, no teatro, com Uma Peça Por Outra. Na TV Globo, interpretou Jéssica, uma tatuadora sensual e divertida em Além do Horizonte; Yumi, um dos papéis principais em Sol Nascente; e a médica Mariko, em Orgulho e Paixão. Entre muitos papéis, ela foi convidada para interpretar Harumi em Psi, série da HBO indicada ao Emmy. Jacqueline também é a voz da música de abertura da versão brasileira do anime japonês Doraemon, sucesso no ar há mais de 40 anos no Japão. Jacque também deu vida à sua primeira protagonista, Marina, na série (Des)Encontros, do Canal Sony. Em 2023 , participou de A História Delas, série do Star+. Para esse ano, ela tem o lançamento do programa Mulheres Asiáticas, que aborda representatividade, preconceito e valoriza a pluralidade e riqueza da cultura destes povos e seus descendentes. Criada por Jacqueline, a nova atração do canal E! terá a primeira temporada com enfoque na vida das mulheres nipo-brasileiras. Além de atriz, Jacqueline é graduada em Comunicação, com Rádio e TV. Ela também é embaixadora do Greenpeace Brasil e usa sua voz para promover a sustentabilidade. O que te inspirou a ser atriz?Acho que uma das principais coisas foi sentir, ainda muito nova, o poder que uma boa história tem. O fato de fazer o espectador embarcar numa jornada única e sair dela transformado me encantou desde sempre. A forma como algumas atrizes e atores me tocaram, somada à curiosidade de ‘como será que é isso de viver outras vidas’ ou ‘como eles conseguem fazer isto’, foi a porta de entrada. Depois de começar a estudar, essa curiosidade virou paixão, pois é um universo muito profundo e complexo, que faz a gente se entender melhor, e que, a cada personagem, me faz descobrir coisas novas. Cada um é como se fosse um portal para uma realidade paralela, onde experimento um ponto de vista diferente de ver e viver a vida. Isso junto com todo o estudar a trajetória de vida dessa pessoa, o como ela lida com os desafios, as emoções, e também aprender sobre diferentes profissões. Toda essa parte da pesquisa, ensaios, experimentações, me encanta. Sempre amplia minha visão de mundo, de humanidade e de empatia. De todos os seus personagens, qual foi o que mais te marcou?Não gosto de escolher um só, acho injusto. Todos me marcaram muito de formas diferentes. Mas ressaltarei aqui alguns: Yumi, por ser, até hoje, o maior papel que tive numa novela, cuja trama repercutiu e engajou muita gente, que conheceu meu trabalho através desse papel. É muito gratificante o impacto que essa personagem teve em relação à representatividade, justamente por chegar em um público tão grande. Outro que também trago, sem dúvida, é a Marina de (Des)Encontros, por ter sido minha primeira protagonista. É uma delícia ser o fio condutor de uma história e poder trabalhar todas as nuances da trajetória dela com a complexidade, o espaço e a oportunidade que só as figuras centrais têm. Por mais que eu dê o meu melhor em qualquer papel, não importando o tamanho dele, a riqueza de material que se tem para trabalhar quando o papel tem mais profundidade e presença na narrativa é ímpar. O que te motivou a fazer Rádio e TV e a mergulhar no universo da comunicação? Quase que uma continuação do o que me inspirou a ser atriz. De novo, o poder que o contar histórias tem, seja por meio da ficção ou outros formatos. O impacto que a TV e o cinema têm na subjetividade das pessoas é enorme e isso sempre me atraiu. Na minha vida, algumas histórias mexeram muito comigo e as boas histórias seguem mexendo, gerando incômodos, reflexão, encantamento, às vezes, injetando um pouco mais de fé na humanidade e na vida, mas sempre me transformando de alguma forma. E por gostar deste efeito único que só o audiovisual é capaz, fui me envolvendo cada vez mais nele nas diversas formas possíveis. Amo o teatro e o fato de ser uma vivência única que só aqueles espectadores que estão ali naquele exato momento poderão experimentar daquele jeito, pois nunca é igual. Mas também amo o fato do audiovisual atravessar fronteiras do tempo e espaço, eternizando um momento, também, único. Qual é a importância de um artista usar sua influência para chamar atenção para a causa da sustentabilidade? Desde pequena sempre tive essa ligação muito forte com a natureza e com os animais, que são parte dela, assim como nós. Na verdade, costumo dizer que nós não somos parte, como se fossemos segmentados: eu aqui, a natureza ali. Caramba, estamos destruindo ela. Nós somos natureza, estamos intrinsecamente ligados e somos interdependentes. Quando a destruímos, em alguma medida estamos nos destruindo junto. A gravidade da devastação ambiental e suas consequências são coisas que me atormentavam desde muito nova. Sempre fui inquieta e angustiada em relação a isto, e a não entender como e porque não tem mais gente se preocupando e agindo em relação a este problema. Isso muito antes de escolher ser atriz e comunicadora. Tanto é que cogitei ser engenheira ambiental. Mas, ao escolher a profissão que tenho hoje, foi natural e urgente usar dessa visibilidade para dar voz àquilo que acredito que precisa ser ouvido, a convidar mais pessoas para refletirem e agirem em prol das mudanças que eu tenho esperança de ver acontecendo no mundo; e se não for no mundo, que seja numa pequena roda, que vai se ampliando conforme mais pessoas se envolvem com a causa. Durante sua trajetória de artista, qual foi o maior aprendizado?Meu maior aprendizado foi descobrir que todos nós, por mais experientes que sejamos, temos insegurança, achamos que não estamos prontos, quando no fundo, muitas vezes estamos. Sabe essa insegurançazinha? Esse, ‘ah meu Deus, chegou a hora, mas queria me preparar mais’. Esse frio na barriga e esse perfeccionismo que a maioria de nós tem são para sempre, não importa quantos anos de carreira. Lembro de ver isso acontecendo com artistas muito mais experientes que eu, com décadas de carreira a mais. O que você precisa é saber lidar e não deixar essa insegurança te paralisar ou te atrapalhar. Quem é a Jacqueline longe das câmeras? É a moça de pés descalços o dia inteiro, de preferência na grama ou na areia; sem maquiagem, cabelo ao natural, que trabalha com intensidade e paixão, mas também se disciplina para ter pausas de descanso e contato com a natureza com tanta presença quanto a presença que ela coloca no trabalho. Que ama estar com seus animais de estimação. Passar tempo de qualidade com a família e amigos. Ama viajar e se perder em novas paisagens, sabores e culturas. O que esperar de seus próximos trabalhos?Apesar de eu ter falado que a insegurança, esse friozinho na barriga, sempre estará presente, acho que podemos esperar uma Jacqueline muito mais ousada e corajosa, que aprendeu a lidar com o nível dessa sensação de forma a estar mais segura, centrada, com capacidade de agir e criar apesar da presença desse tal friozinho na barriga que, no meu caso, já teve fases em que era congelante demais. Daí me paralisava de modo que eu não conseguia criar e viabilizar os projetos que tenho. Tendo feito o meu primeiro, que é o programa Mulheres Asiáticas, sinto que desbloqueei muitas coisas dentro de mim, aprendi demais, e me sinto pulsante e com fome de próximos, seja como criadora, produtora, ou na frente das câmeras como atriz ou apresentadora, ou com mais de uma função ao mesmo tempo, como foi no caso deste primeiríssimo.