[[legacy_image_319918]] Eu sempre quis ir a um show do Paul McCartney. Todas as vezes que ele veio ao Brasil, minha grana já estava comprometida com outras coisas. Contas, especialmente. O tempo passou e Sir Paul, do alto de seus 81 anos, resolveu que era hora de fazer mais uma turnê mundial. Era isso, afinal, que mantinha sua disposição - além do veganismo - disse ele em uma entrevista. Correr países, cantar suas antigas e novas canções, as da época dos Beatles e do Wings, mantém sua energia e muita vontade de viver, produzir, compartilhar sua genialidade que atravessa gerações. Quando soube que Paul se apresentaria em São Paulo no começo de dezembro, fui rápido checar como andava o limite do cartão de crédito. Tudo certo. Liguei para meus pais, que nunca foram a um show assim em estádio, e perguntei se gostariam de ir. Porque eu não poderia ver um espetáculo desses sem eles. Os Beatles embalaram sua juventude. Perdi a batalha on-line de compra de ingressos do primeiro dia. Esgotaram em minutos. Logo anunciaram nova data. No dia da compra, aniversário do meu pai, eu estava a postos, notebook de um lado, celular de outro, com a página do site de compras do evento aberta. No segundo zero do horário início das vendas do ingresso, cliquei na velocidade da luz em ambos os dispositivos, entrei em duas filas, esperei infinitos 14 minutos para chegar minha vez, com muitos ingressos já esgotados. Consegui comprar os três que seriam nossos e resultariam em uma das experiências mais legais que já vivi com minha mãe e meu pai. Dinheiro gasto em experiências é sempre dinheiro bem gasto. Particularmente para mim, shows, viagens e gastronomia de outras culturas fazem um sentido enorme. Coloco nessa conta de dinheiro bem gasto a terapia, que acaba por nos ensinar e lembrar que a vida é aqui e agora, nem tudo tem resposta e vamos deixar pra lá. O que vale é compreender o que tem significado para nós. Uma pesquisa da McCombs School of Business, da Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, em parceria com as universidades de Cornell e Pensilvânia, com mais de 2 mil pessoas, comprovou que somos mais felizes quando gastamos com experiências do que em bens materiais. Na ocasião da divulgação do estudo, o autor principal e professor de marketing, Amit Kumar, afirmou que os resultados indicaram mais satisfação por meio das experiências, mesmo que as pessoas passem mais tempo usando seus bens materiais, independentemente do custo. Neste final de ano, tenho duas turmas de estudantes se formando. Muitos vêm perguntar que outra faculdade fazer, ou se já seria hora de uma pós, um MBA. Sempre lembro a elas e eles que não deixem de investir também na autoformação. Que tem tudo a ver com experiências. É sobre conhecer o mundo, ampliar os olhares, desconstruir certezas, ouvir outras histórias, descobrir diferentes realidades, sabores, perspectivas. Continuar os estudos é fundamental em uma sociedade em constante transformação. Mas isso inclui experimentar, experienciar. Claro que há experiências, como uma viagem ou show, que exigem muito mais financeiramente. Por isso é importante aprender a poupar e investir. Segurança financeira também é sobre realizar sonhos. Não precisa começar grande. Você pode conhecer uma cidade vizinha a sua. Ou um restaurante ou museu em que nunca foi. Ou frequentar cursos livres e palestras diferentes do que costuma estudar para escutar o que mais dizem por aí, em outros círculos. Em São Paulo há muitas e excelentes opções gratuitas e/ou acessíveis para visitar. Logo um novo ano vai chegar. É o momento ideal para aquela lista de desejos. Espero que a de vocês seja mais sobre se emocionar do que sobre usar. P.S.: deixo como sugestão para ouvir uma das minhas preferidas do Paul (cantou no show!). É Maybe I’m Amazed, de 1970, que ele escreveu para a esposa, Linda. Afinal, o amor continua a mais especial das experiências.