(Adobe Stock) Em tempos de constante evolução nas empresas, com o uso da inteligência artificial como uma ferramenta cada vez mais utilizada, uma habilidade que ainda vale muito e não pode ser deixada de lado é a inteligência emocional. “A capacidade de reconhecer e gerenciar as próprias emoções e as dos outros é essencial para o sucesso profissional e para uma vida equilibrada”, explica Cláudia Ribeiro Martins, especialista em comportamento organizacional. Ela, que dá treinamentos em grandes empresas, destaca como essa habilidade pode transformar as relações interpessoais e o desempenho no trabalho. O conceito de inteligência emocional vai além de controlar impulsos ou evitar explosões emocionais. “Trata-se de uma competência que nos permite lidar de forma mais eficaz com situações de estresse, conflitos e mudanças”, afirma Cláudia. A especialista acrescenta que desenvolver essa habilidade tem um impacto direto na produtividade e no bem-estar dos colaboradores. No ambiente corporativo, a capacidade de entender as emoções alheias também se tornou uma ferramenta poderosa de liderança. “Quando líderes demonstram empatia, eles conseguem criar um ambiente de confiança, onde os funcionários se sentem valorizados e motivados”. Ela explica que é preciso austeridade, ou seja, tentar entender o que se passa na cabeça do outro, a aceitação do diferente e passa principalmente pela escuta. “A gente não tem o hábito de escutar com generosidade, querendo entender realmente a frustração do outro, dentro da realidade dele, sem reter as minhas verdades e definições do mundo”. A escuta precisa recepcionar o pensamento do outro, o que nos autodesenvolve também. (Arte AT/Lutti Afonso) Estudos mostram que empresas que investem em inteligência emocional têm equipes mais engajadas e resilientes. Cláudia enfatizou que a inteligência emocional não é uma habilidade inata, mas algo que pode ser desenvolvido ao longo do tempo. “É possível aprender a reconhecer sinais emocionais e reagir de forma mais consciente. Isso nos ajuda a evitar conflitos desnecessários e a construir relacionamentos mais saudáveis e produtivos”, explica. A importância da inteligência emocional também se reflete nas tomadas de decisão. “Quando estamos sob forte pressão emocional, tendemos a tomar decisões impulsivas. Ao controlar melhor nossas emoções, conseguimos pensar com mais clareza e agir de maneira mais estratégica, se posicionar com mais gentileza”, ressalta. Por fim, Cláudia aponta que a prática da inteligência emocional começa no autoconhecimento. “Conhecer nossas próprias emoções é o primeiro passo para aprender a lidar com elas de maneira equilibrada. Pense duas vezes antes de apertar o enter em um e-mail de embate, por exemplo. Gerencie seus sentimentos e, consequentemente, as relações com os outros”. Ela dá uma dica: antes de uma reunião mais difícil, faça uma mudança do estado interno: pense em algo bom, como os filhos, animais de estimação, uma vagem boa, um encontro, amigos. “Assim, você já vai estar com outro estado de espírito”.