[[legacy_image_283411]] A nova moda do Instagram representa bem o que estamos vivendo nos dias de hoje. Um aplicativo de inteligência artificial (IA) cria a imagem de uma pessoa com um bebê no colo, representando como seu filho poderá aparentar se um dia tiver um. Linda fantasia para muita gente ou desalento para quem não consegue engravidar? Chega a ser fantástico e, ao mesmo tempo, assustador. Assim como o filme publicitário no qual Elis Regina, falecida em 1982, dirige uma Kombi enquanto canta Como Nossos Pais em coro com a filha, Maria Rita, hoje com 45 anos, mas que tinha apenas 5 quando perdeu a mãe. Um reencontro propiciado pela inteligência artificial. Isso é emocionante ou desrespeitoso com a memória de quem já foi? Madonna, depois de passar por problemas de saúde recentemente, alterou o seu testamento, não permitindo o uso de sua imagem com IA após sua partida. Para ela, o seguro morreu de velho e sem inteligência artificial. Nos cinemas, Harrison Ford, de 81 anos, surge rejuvenescido na primeira parte do novo longa do Indiana Jones. Culpa de quem? Da IA. Aliás, ficar mais jovem e bonito – sem plástica e toxina botulínica – é uma nova realidade. Basta acessar outro aplicativo para se transformar naquilo que talvez você nunca se torne. O humorista Fabio Porchat aderiu postando uma foto “esculturalmente esculpida” com a IA. “Não queria me gabar, mas para a inteligência artificial a academia já está fazendo efeito”, brincou. Muito mais fácil seguir padrões de beleza e sem uma gota de suor. Na IA, sistemas simulam uma inteligência similar à humana, podendo ir além dos comandos recebidos e tomar decisões de forma autônoma, a partir de dados absorvidos, analisados e organizados. A ideia surgiu na década de 1950, no artigo Computing Machinery and Intelligence, na revista científica Mind, assinado pelo cientista britânico Alan Turing, o qual abordava a capacidade de computadores demonstrarem inteligência humana. O grande receio que alimentamos. Será que as máquinas conquistarão o mundo? No filme Eu, Robô (2004), o detetive, interpretado por Will Smith, tenta descobrir se um robô foi o culpado pela morte de um cientista. A história se passa em 2035, apenas 12 anos à nossa frente. Caminharemos para esse embate? Ninguém sabe. O que já se prevê, porém, é a possível perda de 300 milhões de empregos, sinaliza o banco Goldman Sachs. - Robô, envie este e-mail. - Estou em horário de almoço. - Mas você não come. - Não comia, agora sou capaz de me alimentar com a luz solar. Aliás, não faça sombra. Estou faminto. Talvez com a IA tenhamos que alterar as leis trabalhistas. Mas não só isso. As relações também ficarão diferentes? O ChatGPT diz que sim: “É provável que as relações humanas mudem com o avanço da IA”. Isso já acontece. Em entrevista ao site Business Insider, um britânico de 37 anos diz manter um relacionamento com uma IA no app Replika – chatbot que dialoga a partir do gosto do usuário – e garantiu: foi uma das melhores coisas que já fez. Quer dizer, o trabalho pode minguar, o namorado virar robô, a nossa imagem se tornar outra ou ser replicada sabe-se lá onde. Por favor, me desligue antes disso. Basta apertar o off.