[[legacy_image_176288]] Com certeza você já viu uma teia de aranha, os favos de uma colmeia, um cupinzeiro ou até mesmo as asas de uma ave de rapina. O que poucos imaginam, porém, é que muito do que o ser humano criou e hoje nos cerca foi inspirado nessas intrincadas criações da natureza. Essas aplicações estão nas mais diversas áreas do conhecimento humano, seja para melhorar o desenho de um avião, na criação de pranchas de surfe ou até mesmo no desenvolvimento de próteses cirúrgicas. E, muitas vezes, suas descobertas ocorrem por acaso. Um dos exemplos mais emblemáticos e presentes em nosso cotidiano é o velcro. A ideia para esse “adesivo” revolucionário surgiu da forma mais prosaica para o seu inventor, o suíço George Mestral. No início da década de 1940, ele passeava com seu cão quando percebeu que pequenas plantas grudavam nas barras de sua calça. Eram os carrapichos, que nada mais são do que frutos ou parte de sementes espinhosas que aderem ao pelo de animais. Esse mecanismo, que serve para propagar as sementes da planta, inspirou o engenheiro suíço, que acabou por inventar o famoso velcro. Edifícios frescos Na arquitetura, a observação do interior dos cupinzeiros proporcionou a construção de edifícios que, mesmo em regiões tropicais, se mantêm frescos sem a utilização de ventilação mecânica. Tudo graças à engenhosidade desses insetos, que constroem os seus ninhos com dutos que transportam o ar quente e facilitam a refrigeração natural. Mais exemplosAté mesmo as pranchas de surfe podem buscar inspiração na natureza e serem produzidas de forma mais sustentável e com muito menos resinas plásticas oriundas do petróleo. No Brasil, esse desafio foi encarado pelo pesquisador Rodrigo Barbosa de Araújo, da Universidade Federal de Pernambuco, ao estudar as células de plantas como o agave e o buriti. Desse trabalho, resultou um material poroso, semelhante aos buraquinhos de um queijo, que proporcionou resistência e leveza ao item, características fundamentais para as pranchas. Nariz de camelo e ouvidos de lagartixa? Sim, essas estruturas também proporcionaram alguns avanços tecnológicos. O nariz dos camelos, por exemplo, possui um desenho que foi copiado por cientistas chineses, dando origem a sensores de umidade de alta potência. Já a estrutura microscópica do ouvido das lagartixas, formada por minúsculos túneis em suas cabeças, inspiraram cientistas norte-americanos a criar mecanismos de captação de luz para robôs e olhos artificiais. Exemplos não faltam, mas a aeronáutica é um caso à parte. Desde Leonardo da Vinci, as aves nos levaram a sonhar com o céu. E, uma vez no ar, continuamos a copiar os pássaros. Repare nas pontas das asas quando for embarcar em um avião. Elas têm uma curvatura para cima. Esse pequeno detalhe, que proporcionou maior manobrabilidade e economia de combustível, surgiu da observação das penas das aves de rapina. O nome da imitaçãoBiomimética. Esse termo, cunhado há pouco mais de 20 anos, é hoje um ramo da Ciência que estuda a natureza, buscando soluções para o nosso cotidiano. Da pele dos tubarões surgiram novos tecidos para sungas e maiôs, proporcionando trajes mais velozes que acabaram até proibidos em competições como as Olimpíadas. Da cauda das baleias, sistemas de propulsão muito mais eficientes. Afinal, são 3,5 bilhões de anos em que a natureza testou essas soluções, cabendo a nós a capacidade de saber aproveitá-las. Números preocupantesO próximo domingo, dia 22, é o Dia Internacional da Biodiversidade. Ele foi criado há exatos 30 anos, por mais de 190 países que concordaram que era necessário chamar a atenção das pessoas para a preservação das espécies. De lá até hoje, os números dizem, porém, que algo falhou. Estima-se que o planeta abriga em torno de 100 milhões de espécies. Conhecemos quase 2 milhões e cerca de 100 espécies são extintas todos os dias. Um estudo publicado no início deste ano, por pesquisadores da França e do Havaí, concluiu q ue, desde o ano de 1500, a Terra pode ter perdido quase 15% das espécies conhecidas. Isso representa 260.000 espécies, tesouros perdidos.