[[legacy_image_218653]] No TikTok, existe todo um universo além das dancinhas e das músicas que colam como “chiclete”? A rede social, usada para criar e compartilhar vídeos de até três minutos, tem conquistado o coração – e os celulares – principalmente dos mais jovens desde 2016. Porém, foi na pandemia que a plataforma ganhou maior visibilidade e estourou de verdade, não só entre quem faz parte da Geração Z (pessoas nascidas de 1995 até o início dos anos 2010) como nas demais faixas etárias. O sucesso do TikTok abriu portas para gente do mundo inteiro começar a utilizar a criatividade para elaborar vídeos sobre os mais diversos assuntos, sem se limitar às famosas dancinhas. Desse modo, há dicas de viagem, resenhas de livros, sugestões de filmes, conteúdos humorísticos... E as empresas e marcas também perceberam o potencial da plataforma para divulgar seus produtos e serviços, por meio dos tiktokers com mais seguidores e views, do mesmo modo como acontece no Instagram e no Facebook. [[legacy_image_218654]] JP Mota: um começo nada convencionalDezenove anos e mais de 120 milhões de curtidas em seus vídeos. JP Mota tem quase 3,5 milhões de seguidores no TikTok, mas começou um pouco diferente de seus colegas de profissão. “Eu iniciei com fotos, nunca fui muito do time dos vídeos”, admite o influenciador. O paulistano começou a fazer tiktoks por influência da ex-namorada, só que nunca imaginou que isso se tornaria sua futura profissão. “Hoje, já consigo criar melhor nesse formato (dos vídeos). Inicialmente, eu era muito travado e não imaginava que ia fazer sucesso”. Ele conta que existe, sim, uma estratégia por trás dos grandes números: sempre postar um vídeo por dia no TikTok, entre 17h e 19h. Por isso, todos os dias grava algo e, então, edita o material. Muitos que trabalham com internet já ouviram, tanto dos amigos quanto de familiares, o famoso discurso de que “isso não vai te levar a nada”. Mas JP Mota se sente sortudo por sempre ter contado com o apoio da família e dos amigos próximos. O influencer também relata os maiores desafios enfrentados por quem trabalha com a web: “A criação de ideias em busca de um conteúdo original. Só que ainda tem que lidar com o hate (ódio). Muitas vezes, nosso lado emocional fica bem abalado por ter tanta gente achando que pode falar o que quiser sobre você, como se você fosse um robô sem sentimentos”. [[legacy_image_218655]] Spider: de Guarujá e com 35 mi no TikTokAmigo da Vizinhança, Spider Slack, Cleyton Spider. Chame como quiser. Com uma fantasia do Homem-Aranha e a criatividade, o guarujaense Cleyton da Silva Santos, de 25 anos, começou a postar vídeos no TikTok no início de 2020, um pouco antes da pandemia. O que ele não esperava é que, em tão pouco tempo, teria uma conta verificada e 35 milhões de seguidores na rede social. “Eu estava andando na (Avenida) Paulista de slackline (esporte de equilíbrio que utiliza uma fita de náilon esticada entre dois pontos) e uma pessoa aleatória me gravou e postou no TikTok. Esse vídeo bombou. Meu irmão de 5 anos viu, mandou pra minha mãe e eles me mostraram e sugeriram que eu criasse uma conta no TikTok”, comenta Cleyton ao explicar como começou a postar na rede social. Depois de criar a conta, Spider decidiu subir alguns vídeos. “Postei lá uns sete e saí. Fiquei um tempo sem entrar no TikTok. Aí, após uma semana e meia, eu entrei e descobri que um vídeo que postei viralizou”. Ele acrescenta que não esperava tanto reconhecimento, principalmente de uma forma tão rápida. Assim, o tiktoker passou a postar cada vez mais vídeos e, hoje, conta com uma rotina bem regrada. “Agora, eu só posto dois vídeos por dia. No início, soltava cinco a cada dia, mas era muito desgastante”, observa. Mercado incorpora novas possibilidadesO chamado marketing de influência nunca esteve tão presente e gerou tantos resultados para as empresas como nos últimos anos. Pesquisa realizada em 2022 pela Global State of Digital Report diz que 41% dos brasileiros afirmam que seguir influencers é o principal motivo para usar as redes sociais. Pensando nisso, Rafael Ventura decidiu criar a Nine Comunicação, agência especializada no gerenciamento de carreiras de influenciadores digitais. “Durante a pandemia, comecei a conversar com alguns amigos e percebi que o mercado de marketing de influência tinha aumentado muito. Ele aqueceu rápido demais com a pandemia. Foi aí que eu passei a trabalhar com isso”, explica. Ventura se formou em Jornalismo, sempre trabalhou com comunicação e, a princípio, cuidava da assessoria de imprensa de alguns artistas. “Tinha um amigo meu que era empresário de vários influenciadores. Comecei a fazer assessoria de imprensa para eles e, posteriormente, consegui criar alguns projetos com os influenciadores desse meu amigo. Percebi que ganhava um bom dinheiro fazendo isso”. “Não é diversão, é um trabalho”O CEO da agência diz que os influenciadores acabam tendo uma rotina, assim como ocorre em qualquer profissão. “É como um trabalho comum. Não importa se você é bancário, advogado, profissional da construção civil... Em qualquer profissão, você precisa ter uma rotina e regras”, afirma. Ventura pontua que é possível ganhar muito dinheiro sendo influenciador digital, mas isso só acontece quando há uma rotina e disciplina, principalmente porque é uma vida cheia de festas, de glamour e de trabalhar em casa. “Não é diversão, é um trabalho. Se você não cria essa rotina e não tem uma responsabilidade muito grande, acaba se perdendo com o tempo”. Dicas para se tornar um influencerMuitas pessoas já pararam e pensaram: “e se eu me tornasse um influenciador digital?” Claro, afinal, quem não gostaria de ganhar dinheiro postando fotos e vídeos nas redes sociais, não é mesmo? Porém, a maioria não sabe como dar o primeiro passo – nem o segundo nem o terceiro – para levar esse sonho da cabeça para a web. Por isso, Rafael Ventura dá algumas dicas para quem busca se tornar um influenciador nas redes sociais:Disciplina: o primeiro de tudo é ter essa qualidade. Se der certo, você ainda vai conhecer os seus ídolos, ser convidado para festas e pode se perder no caminho. Portanto, preze por muita disciplina;Escolha um nicho: é importante focar em um segmento. Você quer falar sobre maquiagem? Sobre viagens? Sobre música ou até mesmo fazer comédia? Na hora de escolher o seu nicho, também procure saber como é o público daquela área, quem você vai atingir;Rotina: para fazer acontecer, não dá para ficar em casa, deitado na cama, assistindo a streamings. Precisa desenvolver uma rotina de postagens, de publicações. “Às vezes, a gente pensa que só a postagem é o trabalho, mas não! Para um post, você deve cuidar da criação do roteiro, da gravação, da edição. É um trabalho como qualquer outro, com as suas dificuldades e alegrias”;Pense bem antes de começar: é necessário analisar muito bem se você quer realmente entrar no ramo de influenciador digital. “As pessoas tendem a ver só a parte boa, mas aquilo é apenas a ponta do iceberg, envolve bastante trabalho”. OK, não existe uma receita mágica, mas seguindo os passos acima você já terá chance de, quem sabe, criar uma comunidade sua – e que pode crescer cada vez mais. Ah, também é importante conhecer pelo menos um pouco sobre os algoritmos das redes sociais que vai usar, como quais postagens que mais engajam e os melhores horários para publicar algo.