[[legacy_image_240674]] Dias quentes favorecem a perda de água pela transpiração. Para evitar que o organismo se desidrate, o rim diminui a produção de urina, favorecendo infecções. Caroline Reigada, formada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), nefrologista da clínica Fenix e da Angiocorpore, dá dicas para prevenir o problema. O hábito de urinar com regularidade diminui os riscos de infecção urinária? Sim, no calor existe um aumento do número de casos de infecção urinária, pois o desequilíbrio entre a desidratação – causada pelo suor e pela perda de calor – e a ingestão de água leva a uma maior concentração da urina, o que pode desencadear a proliferação bacteriana na bexiga. Por isso é importante beber água, de dois a três litros ao dia, principalmente nesta época. É importante beber água mesmo sem sentir sede? A sede é um mecanismo central que vem do cérebro, especificamente do hipotálamo, e serve para nos estimular a ingerir água quando o nosso sangue está muito concentrado. Existem pessoas que apresentam menos sede devido a alguma alteração no centro da sede, principalmente os idosos e os portadores de sequelas neurológicas. Isso, no entanto, não deve ser impeditivo para a ingestão de 35 ml/kg por dia de água. A infecção urinária se caracteriza pela presença de bactérias em algum dos órgãos do trato urinário. Como se dá esse processo? A infecção urinária pode ter origem ascendente (quando o patógeno sai do reto, que é colonizado, migra para a vagina e, depois, para a uretra e, então, pode ascender até bexiga e depois para os rins); ou de origem hematogênica (quando uma infecção, em qualquer parte do corpo, chega aos rins por meio do sangue). No caso dos homens, em situações de próstata aumentada, com o avanço da idade, ou quando há fimose, no caso das crianças, pode mais facilmente ocorrer proliferação bacteriana e infecção no trato urinário. Quais os sintomas da doença? A infecção urinária baixa (aquela que vai até a bexiga) é caracterizada por ardência para urinar, maior frequência no número de micções, dor no baixo ventre e até incontinência urinária. Odor fétido na urina não é característico de infecção urinária, podendo ser apenas um indício de urina concentrada ou uso de certos medicamentos. Em idosos, pode ocorrer apenas sonolência e queda do estado geral. Quando a infecção atinge os rins (pielonefrite), há febre, dor em um lado das costas e punho percussão (um sinal médico com a palpação renal) positivo em uma das regiões onde se localizam os rins. Urinar até sentir que realmente esvaziou toda a bexiga contribui para reduzir as chances de desenvolvimento da doença? Sim! Esvaziar completamente a bexiga ajuda a evitar a infecção urinária, principalmente após a relação sexual. Quais outros hábitos contribuem para a saúde do aparelho urinário? Além da ingestão de água adequada, manter a higienização e realizar a limpeza correta ao evacuar, de frente para trás, no caso das mulheres, além de evitar roupas que abafem a região íntima. Usar calcinhas de algodão ajuda a evitar infecção urinária, porque não abafam a região. Urinar após o ato sexual também contribui para essa prevenção. O uso de cranberry em sucos ou cápsulas é controverso, mas, em algumas pessoas, pode trazer benefício. Manter a saúde em dia, com o rastreio de diabetes, e cultivar hábitos de vida saudáveis, com a prática de exercícios e alimentação balanceada, objetivando assim manter o peso ideal, ajudam a preservar os rins e o trato urinário saudáveis. A infecção urinária atinge bexiga e rins? Qualquer parte do trato urinário pode ser atingida pela infecção, desde a uretra, bexiga e ureter até os rins. Por que essa infecção, não cuidada, pode facilmente evoluir para septicemia? A infecção urinária não controlada pode evoluir para um estado de aumento importante de citocinas, que são mediadores inflamatórios que percorrem todo o corpo, causando o que chamamos de sepse ou septicemia. Quando há sepse, todo o organismo está inflamado e ocorrem modificações cardíacas, pulmonares, renais e de diversos sistemas. Como, em geral, é feito o tratamento? O tratamento é feito com antibióticos. Se o caso for mais grave, pode ser necessária internação para antibiótico endovenoso. Por que as mulheres são mais atingidas? E como é a relação de crianças e idosos com essa doença? As mulheres são mais atingidas devido à anatomia de maior proximidade do ânus com a uretra. A infecção urinária não é mais comum em crianças. Se ocorrer infecção urinária em meninos, uma investigação urológica deve ser imediata. Em meninas, programa-se essa investigação, mas a própria anatomia favorece a infecção. Em idosos homens, há mais infecção urinária por conta do alto volume prostático que existe com a idade, que predispõe o acúmulo de urina na bexiga. Nas mulheres menopausadas, o hipoestrogenismo (diminuição da quantidade de hormônio feminino) reduz o trofismo (processo de nutrição dos tecidos) das células vaginais e periuretrais, predispondo à infecção.